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Escudo emocional: projeto auxilia professores a identificar e ajudar alunos com problemas comportamentais
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Encontros incentivam professores a compartilhar dificuldades para encontrar soluções em grupo. Foto: Arquivo pessoal[ /caption]
Olhar diferenciado
Para lidar melhor com os problemas enfrentados pelos alunos no cotidiano é preciso um olhar mais amplo, voltado para o cenário em que os jovens estão inseridos, explica Sinott. “Em cada escola existe um problema distinto, que pede mais atenção. Em algumas temos mais negros, em outras eles são minoria. Podemos também ter casos relacionados à diferença entre os gêneros. É essencial saber por onde começar.”
Outro ponto que se tornou essencial para estudar as intervenções foram os efeitos colaterais gerados pela pandemia de covid-19, que fez com que distúrbios emocionais como ansiedade e depressão se tornassem ainda mais frequentes na população, incluindo as crianças. “Esse é o momento de intervir e evitar que essas dificuldades se instalem e permaneçam até a vida adulta. Já temos muitos estudos que mostram que o tratamento na infância reduz a incidência desses transtornos psiquiátricos lá na frente, reduzindo inclusive as taxas de suicídio”, reforça o especialista.
Com os resultados positivos obtidos até agora, Sinott busca expandir o projeto para outras escolas e também agregar mais atividades. “Queremos multiplicar! Agora o foco está nos professores, pois eles são a base para a mudança. Mas o movimento natural é envolver todos”, diz. O pontapé inicial já foi dado, com a realização de aulas de mindfulness (meditação guiada) para os jovens. A prática chinesa milenar, que ajuda na concentração, na memória e na redução da ansiedade, entre outros benefícios, foi bem recebida pelos estudantes. “Deu muito certo. Eles gostaram bastante e pediram que fizéssemos mais vezes”, conta Sinott.
O psiquiatra explica que a conquista da inteligência emocional envolve um trabalho árduo, que precisa ser feito aos poucos, mas que não deve ser menosprezado nem considerado algo menor, quando comparado com outros aprendizados. “É preciso desenvolver uma infância minimamente saudável, porque lidar com traumas é algo muito difícil, ainda mais quando eles surgem já no começo da nossa jornada. A saúde mental é algo essencial para que se tenha uma vida que valha a pena ser vivida”, defende.
Por Rede Galápagos