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Mortalidade na infância diminuiu, mas ainda há muito o que melhorar
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Mortalidade na infância diminuiu, mas ainda há muito o que melhorar

Mortalidade na infância diminuiu, mas ainda há muito o que melhorar

23/04/2024
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Em março, tivemos uma boa notícia: a quantidade de crianças que morreram antes de completar cinco anos atingiu um mínimo histórico no mundo, caindo para pouco menos de 5 milhões em 2022, segundo números divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O relatório do Grupo Interagência da ONU para a Estimativa da Mortalidade na Infância revela uma taxa global de mortalidade diminuindo em 51% desde 2000.

Em 2021, quando a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde divulgou seu Boletim Epidemiológico, a taxa de mortalidade infantil no Brasil – medida pelo número de mortes antes de completar um ano de idade – foi de 13,3 a cada mil nascidos vivos em 2019. A mortalidade das crianças menores de um ano é um importante indicador da condição de vida socioeconômica de uma região.

Voltando aos números da ONU: no caso do Brasil, a queda é ainda mais acentuada, de 60%. No início do século XXI, o país apresentava 35 mortes para cada mil crianças. Em 2022, essa taxa caiu a 14 para cada mil. Isso significa que, de 122 mil óbitos em 2000, o número absoluto foi reduzido para 39 mil em 2022.

No mundo, a taxa é de 37 mortes para cada mil crianças, enquanto no mundo desenvolvido, como na Europa e nos Estados Unidos, o índice é de apenas cinco óbitos para cada mil crianças. Isso mostra como o nosso caminho ainda é longo para salvar a vida das crianças.

Vários países de renda baixa e média também tiveram quedas nas taxas de mortalidade acima de 50%, mostrando que o progresso é possível quando os recursos são suficientemente alocados para a atenção primária à saúde, incluindo a saúde e o bem-estar das crianças.

As principais causas das mortes nas crianças menores de seis anos no Brasil, Segundo estudo da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), são as complicações perinatais (pouco antes ou depois do parto) ou doenças respiratórias, infecciosas e parasitárias, ou seja, que poderiam ser evitadas com atendimento médico apropriado na primeira infância.

Os dados revelam a alta proporção de óbitos: ao menos 32% das mortes das crianças avaliadas com até um ano de vida ocorrem por problemas perinatais, seguidas de 25% de causas externas ou acidentes como afogamentos, automobilismo e por violência. Causas cromossômicas ou más formações atingem 11% dos nascimentos e 6% são devidas a doenças respiratórias.

Após um ano de vida até os 4 anos, a principal razão de morte é a causa externa, responsável por 33 mil mortes, seguidas de 29 mil de doenças respiratórias e 21 mil de doenças infecciosas e parasitárias. A taxa de mortalidade na infância – indicador que aponta a probabilidade de um recém-nascido não completar os cinco anos de idade – recuou em 2019. Diferentemente do observado durante a década de 1980, quando o índice era de 69 óbitos para cada mil nascidos vivos e, em 2018, esse valor foi de apenas 12,4, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A mortalidade das crianças menores de 5 anos ou mortalidade na infância também declinou neste período. Em 2018, de cada mil nascidos vivos, 14,4 não completavam os 5 anos de idade. Em 2019, esta taxa foi de 14,0 por mil, declínio de 2,8% em relação ao ano anterior.

O Ministério da Saúde não se manifestou sobre este estudo. Condições estruturais, como a falta saneamento ou de acesso ao esgoto e à água potável, agravam o problema. Quase 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água potável e para cerca de 100 milhões não há serviço de coleta de esgotos. Desse total, 5,5 milhões estão nas 100 maiores cidades do país, segundo o Instituto Trata Brasil. Doenças como cólera e febre tifoide são transmitidas pela água contaminada.

Como vemos, nossas autoridades têm muito trabalho pela frente para diminuir o número de mortes evitáveis de crianças nos primeiros anos de vida. Não adianta por a primeira infância no discurso, na constituição, tem que colocar na prática.

 

Fontes:

https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2024/03/13/mortalidade-infantil-tem-queda-historica-taxa-no-brasil-cai-50-em-20-anos.htm?fbclid=IwAR3bjnsejRVaOlXu2-32CGEK7OW_CKm-iqP4TnbRx9xfEXnG3Edyb6vq1zUs

https://www.gov.br/saude/pt-br/media/pdf/about:blank2021/outubro/18/boletim_epidemiologico_svs_37_v2.pdf

https://news.un.org/pt/story/2024/03/1829176

 

Saiba mais:

https://institutopensi.org.br/mortalidade-infantil-nao-melhora-ha-5-anos-mais-uma-vergonha-para-o-brasil/

https://institutopensi.org.br/do-que-morrem-as-criancas-no-brasil-2/

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

(CRM-SP 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com especialização na Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduação em Gestão na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás, David e Benjamim.

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