
Dieta certa para driblar a anemia
279 —Anemia é a condição na qual ocorre queda da hemoglobina no sangue. A hemoglobina é a responsável pelo coloração avermelhada da pele e pelo carregamento do oxigênio aos tecidos, o que gera a energia para as atividades diárias. Muitas são as causas de anemia, ela pode ser congênita ou adquirida, mas a que nos interessa aqui é a anemia carencial, consequente da falta de ferro.
Alojado na hemoglobina, pigmento do glóbulo vermelho, o ferro possui nobre missão: a de transportar oxigênio aos tecidos do organismo. Sua deficiência implica em palidez, fadiga, sono excessivo e inapetência.A anemia causada pela falta de ferro não é exclusividade das nossas crianças. A prevalência da doença em países em desenvolvimento, até os quatro anos de idade, ultrapassa os 50%. Durante a amamentação, o leite materno supre as necessidades desse nutriente. Até em países desenvolvidos a anemia apresenta níveis crescentes de prevalência, tornando-se um grave problema de saúde pública. No Brasil, estudos regionais com crianças de diferentes faixas etárias apontam variação de 28 a 68%.
A maior incidência de anemia ferropriva ocorre entre 9 e 12 meses de vida, época em que geralmente se faz a introdução da dieta da família e da mamadeira (na maioria das vezes leite de vaca integral). Muitas vezes, essa fase de transição não é "bem aceita" pela criança, simplesmente porque é uma questão de aprendizado. E os pais, por inexperiência ou falta de orientação adequada, interpretam que o filho não gosta da nova dieta e deixam de insistir na oferta de alimentos saudáveis, justamente numa fase da vida em que eles são tão importantes.
Principalmente até 18 meses de vida ocorre rápido crescimento e desenvolvimento do organismo, o que requer uma demanda aumentada de ferro. Porém, muitas vezes a ingestão é inadequada e ocorrem perdas gastrointestinais devido à alergia a proteína do leite de vaca, parasitoses intestinais, perdas diarreicas, refluxo gastro-esofágico etc.
Sintomas e sinais da anemia
A anemia não é uma doença silenciosa. Os primeiros estágios da deficiência de ferro geralmente não apresentam sintomas, mas a anemia instalada vai sempre cursar com alterações clínicas como palidez, fadiga, fraqueza, sono excessivo e inapetência, que são os principais sintomas. O hábito de comer terra, sabão e até gelo também pode sinalizar a anemia ferropriva.
Leia também: Não é melhor pedir alguns exames para o meu filho, doutor? https://www.youtube.com/watch?v=mXvROWPgOfcTratamento: o ferro nos alimentos
A dieta rica em ferro é muito importante, mas na anemia já instalada, faz-se necessária a suplementação com ferro oral na dose de 3-5mg/kg/dia, geralmente por um período de 3 meses. Para aprimorar essa assimilação, valem algumas dicas.
Antes de cozinhar, deixe o feijão de molho na água por uma hora, assim os fitatos são liberados e o ferro será melhor absorvido.
O ferro de origem vegetal, ao contrário do de origem animal, para ser absorvido, sofre influência de fatores inibidores (fitatos, fibras, cafeína, sais de cálcio...) e facilitadores (vitamina C, frutose, citratos...).
As principais fontes de ferro são: as carnes, principalmente as vermelhas; as vísceras (figado de boi e de galinha); feijão (todos os tipos); gema de ovo; verduras e hortaliças (as verdes escuras são as que mais tem ferro: couve, brócolis, agrião, espinafre, rúcula, escarola...).
Agravamento do quadro
Quando a anemia não é tratada ou é inadequadamente tratada, vai se formando uma "bola de neve": a anemia cursa com falta de apetite, sem apetite a criança não se alimenta bem e a anemia piora, ficando a criança cada vez mais fraca, sem querer brincar, com baixo rendimento escolar, com maior susceptibilidade a quadros infecciosos, com mais sono e mais pálida-amarela.
Dúvida recorrente
Muitos pais têm essa dúvida, mas anemia não vira leucemia. Leucemia é um câncer que acomete a fábrica do sangue e esta, doente, não trabalha bem, gerando alteração em todas as células do sangue, inclusive as vermelhas, levando à anemia, que neste caso não é carencial.
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Dra. Fátima Fernandes
Diretora Executiva do Instituto PENSI. Graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com Residência Médica em Pediatria pelo Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. É mestre em Alergia e Imunologia pela Universidade Federal de São Paulo e possui MBA em Gestão em Saúde pelo IBMEC.