
Saúde
As lições que o caso de Archie Battersbee pode nos dar
130 —- Olhos vermelhos;
- Marcas no pescoço;
- Dores de cabeça severas;
- Desorientação depois de passar um tempo sozinho;
- Cordas, lenços e cintos amarrados à mobília do quarto ou maçanetas ou encontrados amarrados no chão;
- Presença inexplicável de coisas como coleiras de cachorro, coleiras de estrangulamento e cordas elásticas.
Foto: Hollie Dance[ /caption]
Sou católico e como tal encaro bem a morte, e como cristão, aceito bem as palavras da oração ensinada por Jesus, o “Pai nosso”, que prega: "Seja feita a vossa vontade". Como pediatra há 40 anos, vi e acompanhei muitas crianças morrerem. Posso falar que nunca é fácil, nem para as famílias nem para os profissionais de saúde que acompanham aquele paciente e sua família. Tenho empatia com a família Battersbee, posso entender sua dor, pois perder um belo menino, ainda brotando para a vida e de maneira tão sem sentido deve ser inconsolável.
A terceira lição é consequência da segunda, mas é sob o ponto de vista do profissional de saúde. Até que ponto nós, médicos, nós, hospitais, nós, profissionais de saúde, podemos manter um paciente vivo. Os cuidados de Archie tornaram-se objeto de semanas de discussões legais, enquanto seus pais tentavam forçar o hospital a continuar os tratamentos de manutenção da vida e os médicos argumentavam que não havia chance de recuperação. Decisões anteriores da justiça britânica concordaram com a recomendação médica, mas estenderam o prazo para permitir que os pais entrassem com novos recursos. Se você não lembra do caso de Charlie Gard, leia a história no link abaixo.
A disputa é o mais recente caso do Reino Unido que coloca o julgamento dos médicos contra os desejos das famílias. De acordo com a lei britânica, é comum que os tribunais intervenham quando pais e médicos discordam sobre o tratamento médico de uma criança. Nesses casos, o melhor interesse da criança tem primazia sobre o direito dos pais de decidir o que eles acreditam ser o melhor para seus filhos.
Difícil decisão, pois entram vários fatores para a sociedade colocar em questão. Por exemplo:
- Como sociedade, quanto estamos dispostos a gastar em tratamentos e em recursos com um indivíduo que não tem chance de viver?
- Qual é o limite de um tratamento fútil? (Uma definição: ação médica cujos potenciais benefícios para o paciente são nulos ou tão pequenos ou improváveis que não superam os seus potenciais malefícios.)
Dr. José Luiz Setúbal
(CRM-SP 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com especialização na Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduação em Gestão na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás, David e Benjamim.
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