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Dicas para criar o hábito da leitura infantil
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Dicas para criar o hábito da leitura infantil

Dicas para criar o hábito da leitura infantil

01/07/2021
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Na primeira coluna que escrevi para este Blog, no mês passado, contei sobre a pesquisa que comprova que quem lê é mais feliz. Falei também da empatia que criamos ao nos colocar no lugar de tantos personagens, de tantas vidas diferentes da nossa, citando a célebre frase de George R. R. Martin, que disse: “Quem lê um livro vive mil vidas; quem não lê vive só uma”. Convidei os pais a se aventurarem no universo fantástico da literatura infantil sem medo de se encantar e dei algumas sugestões de títulos capazes de maravilhar todas as idades.

Só que preciso ser honesta: pra gente transformar isso tudo num hábito, por mais lindos que sejam os livros com os quais nos deparamos, é preciso um esforcinho. Às vezes, na tentativa de animar as famílias a ler mais, a gente acaba falando muito de como esse hábito pode ser gostoso e prazeroso – e é! – mas esquece de dizer que sim, é necessária uma dose de dedicação. Nenhum hábito se cria automaticamente, como num passe de mágica, e a leitura não foge à regra. Mas isso não significa que o processo não pode ser uma delícia.

Não foi à toa que escolhi começar esta coluna convidando os adultos a se encantar com os livros infantis. Quando nós nos apaixonamos por eles, e olha que é bem fácil isso acontecer com os livros certos (veja lá as dicas do último post!), metade do caminho já está trilhado. Ao lermos uma história que de fato nos encanta para os nossos filhos, a gente transmite esse encantamento para eles sem nem perceber – e é o encantamento o grande responsável por formar leitores. Mas não só: se a gente lê um livro numa noite, por mais mágico que seja esse momento, e depois não lê mais, a sementinha pode ter sido plantada, mas não está sendo regada – vai ficar ali, quietinha, demorando pra brotar. No entanto, se a gente cria um momento para isso acontecer – que pode ser todo dia antes de dormir, todo dia na hora da preguiça pós-almoço, ou duas vezes por semana, ou todo sábado (o importante é que haja uma rotina que funcione para a família, e nada mais), daí a gente está regando a sementinha. E por que é importante que ela brote logo? Porque são comprovados os muitos benefícios que a leitura tem nas crianças desde bem pequenas, então, quanto mais cedo isso acontecer, mais beneficiadas elas serão. Ainda vou fazer um post falando só desses benefícios, mas pra vocês terem uma ideia, estamos falando de desenvolvimento de vocabulário, identificação de situações e emoções, conexão afetiva com o adulto que lê, comunicação com o mundo, melhora de problemas comportamentais. Ufa!

Então, para que esse hábito seja criado aí na sua casa de um jeito gostoso e sem cara de “mais uma obrigação” que os pais têm que ter; para que vocês possam fazer deste um momento de prazer real em família, aí vão algumas dicas:

– O clima

Pense: como é a hora da leitura na sua casa, o que envolve esse momento? Tem um lugar, uma atmosfera especial? Os celulares estão longe? Vocês são 100% dos seus filhos e eles seus? Os pais estão curtindo a leitura também, para transmitir esse prazer para os filhos?

Se conseguimos fazer com que esse momento seja bom, afetivo, as crianças vão começar a esperar por ele.

Escolha o melhor horário da sua casa. Não adianta escolher aquela hora que todos estão envolvidos com outras coisas e precisem parar tudo para “a hora de ler”. Cada família tem um momento em que todos estão mais propensos a fazer uma atividade calma, que não exija interrupções; é importante não ter TV ligada ao lado, campainha tocando, whatsapp apitando.

– O exemplo

Vocês leem? As crianças veem os adultos da casa com livros nas mãos? Parece óbvio, e é, mas poucos param para pensar nisso. As crianças se espelham nos pais e vê-los lendo pode ser um poderoso incentivo. Ótima “desculpa” para criar, ou retomar, o hábito da leitura adulta também.

–  O acesso

Os livros infantis da casa estão acessíveis para que as crianças, de qualquer idade, possam pegá-los, manuseá-los quando quiserem? Esse acesso é superimportante e ajuda que elas tenham familiaridade com o objeto livro desde bem pequenas. Se você tem medo do seu filho rasgar as folhas ou estragar os livros, disponibilize aqueles adequados para a idade: as obras destinadas a bebês costumam ter capa e páginas mais resistentes. Aliás, a dica vale para todas as idades: o filtro dos pais é fundamental para que as obras disponíveis sejam adequadas à faixa etária, respeitando os valores de cada família, mas lembrando que tudo o que não é explícito é entendido de acordo com o repertório de cada um – então contos de fadas e histórias que “dão medo”, por exemplo, podem sim ser super apropriadas e fazer até bem para as crianças, preparando-as para o mundo ao permitir que lidem com coisas difíceis no plano da fantasia. Vou voltar nesse assunto num próximo post!

– Escolha bem

Vou fazer um post só pra falar disso, mas pense que “livro” é algo tão genérico quanto “filme”. Você leva seu filho pra “ver um filme”? Ou você escolhe o filme de acordo com o que seu filho gosta, os temas que o interessam? Funciona da mesma forma! E quanto maior a qualidade literária do livro, os estímulos visuais, melhor! Livro é arte, é o primeiro museu da criança. Apresente variadas formas e técnicas: ilustrações a lápis, colagens, aquarelas. Quanto menos se parecerem com aqueles desenhos de TV, melhor. E lembre-se: livro literário não é livro didático e não precisa ter o objetivo de ensinar nada à criança. A ideia é não escolarizar o livro, pelo contrário: é mostrar que a leitura em casa não é obrigação, mas sim prazer.

 

Espero que as dicas sejam úteis! Tem alguma dica, algo que tenha funcionado na sua casa? Conta aqui nos comentários. Acha que as dicas podem ser úteis para alguém? Compartilha o post!

Luciana Loew

Luciana Loew

Luciana Loew é consultora de comunicação, pesquisadora de literatura para crianças e jovens e especialista em textos literários pelo Instituto Vera Cruz. É colunista da revista Pais&Filhos e co-idealizadora da Literatoca, iniciativa que busca aproximar as famílias brasileiras dos livros. Mãe de Teresa e Alice, duas pequenas e ávidas leitoras.

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