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MAIO AMARELO: especialista faz alerta sobre depressão infantil e saúde mental em 2022
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MAIO AMARELO: especialista faz alerta sobre depressão infantil e saúde mental em 2022

MAIO AMARELO: especialista faz alerta sobre depressão infantil e saúde mental em 2022

19/05/2022
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“Sem conseguir expressar a angústia, a criança manifesta seus sentimentos por meio do comportamento”, explica a Dra. Gisela Oliveira de Mattos

O tratamento pediátrico especializado é essencial para evitar a generalização de que a criança é apenas um “adulto pequeno”. Quando o assunto é saúde mental, ver a criança como um adulto em miniatura pode impedir o diagnóstico correto e o tratamento da depressão infantil.

“A criança sente inquietações, angústias, mas ainda não sabe verbalizar. Ao contrário dos adultos, que sabem nomear melhor seus sentimentos, a criança demonstra que algo está errado no comportamento. Quando a criança está ansiosa ou deprimida, a angústia que sente não faz parte de seu vocabulário, e é a partir de mudanças bruscas no comportamento que os adultos conseguem identificar que algo não vai bem”, explica a Dra. Gisela Oliveira de Mattos, psiquiatra e psicoterapeuta infantil com especialização em violência doméstica contra crianças e adolescentes pelo LACRI-IPUSP.

De acordo com um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) feito com cerca de 6 mil jovens, entre 5 e 17 anos, 36% deles apresentaram sintomas de ansiedade e depressão durante a pandemia. O cenário é urgente e deve ser levado a sério, e algumas mudanças comportamentais mostram quando eles devem receber atendimento psicológico especializado.

Falta de socialização provocada pela pandemia pesou mais para crianças e adolescentes em idade escolar

“A criança é um ser muito concreto, a abstração só chega no início da adolescência. Dessa forma, ela vai mudar e isso pode chamar a atenção dos pais para algo que está errado. Pode ser que uma criança extrovertida fique retraída, sem brincar, se isole, fique agressiva, quieta, chorosa… Algumas crianças também ficam inquietas, sem conseguir focar em nada, se distraindo facilmente. Outro sinal que merece atenção é quando a criança não quer mais ir para a escola, socializar. É necessário avaliar caso a caso”, explica a especialista.

O cenário complexo da pandemia de covid-19 afetou muito as crianças, pela perda de acesso à escola, de socialização com a família e amigos e muito tempo passado em casa. Cada faixa etária foi afetada de maneira diferente, mas a Dra. Gisela ressalta que a falta de socialização impactou a todos, principalmente para crianças e adolescentes em idade escolar. “Tive pacientes que passaram o ensino médio dentro de casa. Daí já saem e vão para o cursinho, Enem, é um choque. É muito mais difícil lidar com ensino à distância, por exemplo, do que o esquema presencial ao qual estávamos habituados”, afirmou a psiquiatra.

Com a falta de preparação das escolas para lidar com o fim súbito das aulas presenciais, a especialista afirma que as crianças que seguiram regimes rígidos de ensino tiveram uma piora significativa na saúde mental. “As escolas que mantiveram suas exigências de rendimento, se comportando como se nada tivesse mudado, geraram mais estresse para os alunos. Algumas escolas lidaram melhor, entendendo que a relação das crianças com o ensino não seria a mesma. Crianças não foram feitas para ficarem sentadas na frente de um computador cinco horas por dia”.

Quando os pais devem procurar ajuda?

Para a psiquiatra, é importante que as famílias falem com a criança quando notarem mudanças significativas de comportamento. “Conversar com ela é sempre o melhor primeiro passo. A criança precisa saber que os pais estão interessados nela. Nem sempre ela será capaz de contar da maneira que esperamos, mas é importante perguntar”, comenta. Adolescentes podem ser mais resistentes a esse tipo de abordagem, e uma saída pode ser conversar com os professores para entender como está o comportamento do filho fora de casa.

A criança também precisa ser vista como parte essencial do tratamento, e o foco deve ser no bem-estar, não no problema. “Como terapeuta, não quero ver a doença, quero ver quais recursos psíquicos que essa criança tem para dar conta de transformar esse estado depressivo, angustiado, sem necessariamente lançar mão de medicação. Cada caso é um caso”.

O ideal é que a criança receba atenção e tratamento adequados antes de um possível colapso familiar, especialmente em tempos nos quais os pais estão passando por situações estressantes de crise econômica e sanitária. “Ocupar espaços públicos é importantíssimo para a saúde mental das famílias, por isso, recomendo que as famílias façam tudo que seja possível ao ar livre. A socialização é essencial também, pois a criança dimensiona o mundo dela a partir dos outros. O mundo da criança é naturalmente pequeno, e ela precisa ver que outras coisas existem. O que não é visto, é como se não existisse”, completa a Dra. Gisela.

Comunicação PENSI

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