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Tudo sobre Deficiência do Hormônio do Crescimento
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12/07/2023
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O argentino Messi e o brasileiro Oscar: ambos com diagnóstico de Deficiência do Hormônio do Crescimento
Crédito: Foto Divulgação/Foto Arquivo Pessoal

 

Doença diagnosticada em Messi atinge 1 a cada 4 mil crianças no mundo

 

De um lado, Lionel Andrés Messi, argentino, 35 anos, considerado um dos melhores jogadores de futebol da atualidade; do outro, Oscar Campos Neto, brasileiro, 11 anos, que sonha em ser juiz — de direito. Mas o que uniria realidades tão distintas? Ambos foram diagnosticados com Deficiência do Hormônio do Crescimento (DGH), doença rara que atinge 1 a cada 4 mil crianças no mundo. Como o próprio nome sugere, entre as principais características da enfermidade está a ausência ou baixo crescimento a partir dos 2 anos de vida.

Do inglês “growth hormone”, que quer dizer “hormônio do crescimento”, a sigla DGH está atrelada às alterações do organismo. A doença pode ser congênita (quando a criança já nasce com a alteração devido a mudanças genéticas, lesão cerebral e/ou deficiência de outros hormônios) ou se desenvolver após o nascimento por problemas de saúde que afetem a hipófise — glândula produtora de hormônios localizada na parte inferior do cérebro, responsável por regular o funcionamento de uma série de mecanismos do organismo —, como infecções e tumores.

As causas adquiridas podem incluir radioterapia no sistema nervoso central, meningite e lesão encefálica. A radioterapia na coluna vertebral, tanto a profilática (de precaução) como a terapêutica, tem a capacidade ainda de alterar o desenvolvimento potencial das vértebras, colocando mais risco ao ganho de altura.

Entre os principais sintomas estão: crescimento lento a partir dos dois anos, idade óssea e dentição atrasadas, voz estridente e cabelos finos. “Quando penso em quadros congênitos, essa criança — que não necessariamente vai nascer pequena — pode ter algumas características que trazem pistas, como hipoglicemia; icterícia (aquele amarelão na pele de forma mais prolongada); obesidade na região do tronco, causada pelo baixo crescimento somado ao ganho de peso”, diz o endocrinologista pediátrico Matheus Alvares, médico do Sabará Hospital Infantil. Nos meninos, por exemplo, há a possibilidade de vir com o chamado “micropênis”. “É importante lembrar que esses sinais não são exclusivos da Deficiência do Hormônio do Crescimento. Outros quadros também podem apontar para o problema. Neonatologistas e endocrinologistas, nesse caso, precisam fazer avaliações médicas detalhadas.”


Dr. Matheus Alvares, endocrinologista do Sabará Hospital Infantil: o desafio de diagnosticar a doença rara e começar o tratamento a tempo.
Foto: Arquivo pessoal

ATENÇÃO AOS EXAMES

O diagnóstico é obtido por exames de sangue para medir as taxas hormonais do corpo e exames de imagem, como o raio-x  e a ressonância magnética, que avaliam a idade óssea da criança. Essa investigação pode mostrar possíveis alterações no cérebro, como na região da hipófise. Também é importante monitorar a altura através do padrão de crescimento de crianças da mesma idade e sexo, além da média de estatura da família. No caso das meninas, o cálculo é feito pela soma da altura da mãe com a do pai menos 13 cm dividida por 2. Já nos garotos, a equação é adição da altura da mãe com a do pai mais 13 cm dividida por 2. Com isso, tem-se uma noção do gráfico de crescimento e acender, assim, um possível sinal de atenção.

Ainda nessa linha, testes de estímulos são alternativas utilizadas para compor o caminho de detecção ou descarte da enfermidade. “O paciente recebe um medicamento para estimular o hormônio do crescimento. Caso a criança não apresente um aumento significativo do hormônio após essa tentativa, ela pode ter por definição uma deficiência. É um suporte para o resultado, mas não dá para se basear só nesse exame, até porque outras doenças podem desacelerar o crescimento”, ressalta Alvares.

No caso de Messi, o atacante do Paris Saint-Germain foi diagnosticado tardiamente, aos 9 anos. Com 1,27 metro, o seu apelido era “Pulga”, justamente por causa do tamanho. Nessa época, enquanto atuava nas divisões de base do Newell’s Old Boys, em Rosario, na Argentina, foi encaminhado para um endocrinologista. “Ele dizia que só queria ter altura [suficiente] para jogar futebol”, contou o médico argentino Diego Schwarzstein à agência de notícias AFP, em 2014. “E eu falava para ele: ‘Fica tranquilo: um dia você será mais alto que o Maradona (ídolo do futebol argentino). Não sei se vai ser melhor que ele, mas será mais alto’.”

O tratamento aplicado ao atleta é o recomendado atualmente pelos profissionais de saúde: reposição hormonal com GH. O medicamento deve ser utilizado diariamente, à noite, por injeções nas coxas, braços, abdômen ou nádegas, objetivando obter a estatura final dentro da média populacional. “O endócrino estabelece o término dessa fase, quando o paciente cresce menos de 2 centímetros ao ano. Então, ele é retestado para a Deficiência do Hormônio do Crescimento. Caso tenha a DGH persistente, o médico receita o uso de uma dose substitutiva do hormônio para o resto da vida, só que em quantidade menor, pois não é mais para fins de crescimento. A intenção, nesse caso, é controlar a massa magra e proporcionar benefícios cardiovasculares”, detalha o endocrinologista. O profissional de saúde destaca também que existem muitas indicações de uso do hormônio do crescimento para quem não tem a DGH. Messi atingiu a altura de 1,69 metro, 4 centímetros a mais que Maradona.

Diferentemente do jogador, Oscar Neto teve a certeza da doença aos sete anos, em 2018, após um longo processo de investigação que constatou o pan-hipopituitarismo. Ou seja, o menino nasceu com a Deficiência do Hormônio do Crescimento associada a outras doenças. “Meu filho não consegue desenvolver oito hormônios. É um diagnóstico bastante complexo, que não se descobre de uma vez. No caso da ausência do GH, a primeira coisa que vimos foi a curva de crescimento dele. O raio X indicou essa possibilidade. E depois foram constatadas as outras. É um efeito cascata”, explica a massoterapeuta Alvaci Bueno, mãe do estudante.

O hipopituitarismo generalizado é causado por alterações genéticas, envolvendo mutações hereditárias, ou esporádicas, que afetam as células da hipófise. Nesses casos, pode haver anormalidades em outros sistemas do órgão. Alvaci admite que não tinha noção alguma sobre a doença, muito menos das possibilidades de associações. “Para mim, o Oscar era uma criança pequena, gordinha e com muitas complicações, porque tem pessoas que são mais saudáveis que outras. No meu entendimento, meu filho nascera com uma fragilidade, mas só depois entendi se tratar de várias deficiências.”

A rotina do Oscar é composta de acompanhamento psicológico e consulta trimestral com endocrinologista, porém está há dois anos com 1,32 metro. “Ele entende a patologia e a necessidade de se cuidar. Costuma dizer: ‘Não importa o meu tamanho; tenho que estar saudável’. Contudo, meu filho tem tido dores nas articulações e engordou muito do final do ano para cá”, conta a mãe. Além disso, ele faz uso diário das injeções de GH. No Brasil, o medicamento é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde para pessoas com a enfermidade.

“Para mim, meu filho é normal. Eu mesma aplico a injeção nele. Ele vai para a escola regularmente. Não faz as aulas de educação física por causa das dores que sente, mas é um excelente aluno”, orgulha-se. Quanto ao futuro, ela é direta: “Sigo pela ideia dele, que já colocou o foco na cabeça de que será juiz de direito. Acredito e entendo que ele estudará para isso”.

 

Por Rede Galápagos

 

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