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O relato de uma mãe que fez a aula de EAD sobre primeira infância
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O relato de uma mãe que fez a aula de EAD sobre primeira infância

O relato de uma mãe que fez a aula de EAD sobre primeira infância

27/03/2023
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Aula gratuita (e mais vista) na plataforma de ensino à distância do PENSI traz conteúdos que complementam a formação de educadores infantis, profissionais da saúde e mães, como eu

 

Por Lívia Piccolo

Eu sou mãe de um menino de seis anos, o Raul, e muitas vezes fui ajudada pela internet. Já tirei dúvidas sobre amamentação, introdução alimentar, escolas e diversos outros assuntos. Também encontrei outras mães com as quais troquei alegrias e angústias. Às vezes fico confusa com o excesso de informação e, na tentativa de encontrar a solução para um problema, sinto a ansiedade aumentar. Posso dizer que, depois da maternidade, a internet me deu alguns cabelos brancos a mais. Quem nunca?

Encontrar informações confiáveis sobre desenvolvimento infantil e o universo das crianças não é das tarefas mais fáceis. Sabe-se que a primeira infância é um período fundamental na vida de um ser humano e, como mãe, quero sempre tentar fazer o melhor, mesmo sabendo que cometerei inúmeros erros. Há muito palpite e informação pela metade na internet. O Impacto do Desenvolvimento na Primeira Infância sobre a Aprendizagem, disponível gratuitamente na plataforma EAD do Instituto PENSI, é uma boa alternativa para informar tanto famílias como educadores que trabalham com a primeira infância. O curso é ministrado pelo professor titular do Instituto de Psicologia da USP Lino de Macedo, com participação de especialistas que oferecem informações preciosas.

Segundo Lino de Macedo, a Fundação José Luiz Egydio Setúbal (FJLES) patrocinava, junto com outras entidades, como Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Universidade Harvard e USP, um projeto sobre a importância de valorizar — do ponto de vista da política, da economia, da saúde e da educação — o cuidado de crianças pequenas. “Nesse contexto, organizamos, em nome do Instituto PENSI e da FJLES, esse curso. O objetivo era divulgar um working paper produzido sobre esse tema e discutir os fundamentos das ideias nele divulgadas”, ele explica. Gostei de aprender sobre a primeira infância, em especial porque todas as informações do curso são baseadas em evidências científicas, me ajudando a entender as diferentes fases desse período da vida. Pude pensar no comportamento do meu filho, na rotina que temos em casa e em maneiras de melhorar aquilo que está ao meu alcance.

Fácil acesso

 A organização do material contribui para que o aluno possa assistir às aulas de maneira que caibam na sua rotina. O curso é composto de um vídeo de introdução e quatro aulas que podem ser vistas separadamente, na hora em que o aluno quiser. Além disso, o material fica disponível por 30 dias a partir da data de inscrição. Após realizar o cadastro no site, completei o curso em dois dias, pausando para anotar em um caderno os tópicos que julguei mais interessantes. Vale dizer que o conteúdo é acessível e descomplicado, facilitando a apreensão de conceitos primordiais sobre desenvolvimento infantil.

Lino de Macedo na aula “Criança ativa e competente, apesar de vulnerável”

O que é desenvolvimento infantil?

Na primeira aula, Lino de Macedo explica o conceito de desenvolvimento integral, na perspectiva da criança. Ele passa pelo desenvolvimento físico, cognitivo, social e emocional. Meu filho tem seis anos, e lembrar de todas as camadas que compõem o desenvolvimento da criança veio em boa hora. É comum que os pais e cuidadores coloquem atenção somente na esfera do físico — peso e altura da criança — e do cognitivo, preocupados com a aprendizagem da matemática e do português, esquecendo-se do aspecto social e emocional.

Segundo Lino de Macedo, as aprendizagens e conquistas que ocorrem até os seis anos pouco têm a ver com atividades pedagógicas dirigidas. O desenvolvimento, em especial nos três primeiros anos, se dá no cotidiano da criança, através de ações como pegar um objeto e sentir seu cheiro e textura, perceber que é possível arremessá-lo, guardá-lo em uma gaveta e brincar com ele de diversas formas.

Além disso, a criança precisa aprender formas de conviver com a tristeza, com a necessidade de ser mais ou menos contida, de lidar com a dor e o sofrimento, seja de um machucado no joelho ou da mãe que lhe nega um pedido. Ela precisa que os adultos à sua volta a abracem e conversem, mantendo contato físico e visual. Assistindo às aulas eu me lembrei das vezes em que me disseram “muito colo faz mal”. O que as evidências científicas mostram é justamente o contrário, ou seja, a criança precisa de muito contato físico com seus cuidadores.

Economia e infância

A segunda aula, “Por que investir no desenvolvimento da primeira infância”, é apresentada pelo professor de economia da USP Daniel Santos. Essa foi a que mais me prendeu a atenção, trazendo dados que me surpreenderam. Tanto como mãe quanto como jornalista que escreve sobre maternidade e desenvolvimento infantil, fiquei impactada pelas informações trazidas por Santos. Ele cita pesquisas que demonstram o enorme impacto positivo que o investimento em educação infantil traz para a sociedade. Cada dólar investido nas crianças retornará futuramente como 16 dólares na vida adulta, para a sociedade toda. O que isso significa, exatamente?

Os economistas se interessam pelo desenvolvimento infantil porque uma das raízes da desigualdade social e de renda é a desigualdade educacional. As crianças que frequentam boas escolas na infância têm enormes vantagens para conseguir bons empregos e boa renda no futuro. Diante desse cenário complexo, os especialistas investigam quais são as políticas públicas capazes de reverter a desigualdade educacional. Nesse ponto da aula, logo pensei “precisamos de boas escolas públicas, é fácil”. Mas, como Santos explica em seguida, não é tão simples como parece.

Gráfico mostrado na aula ministrada pelo economista Daniel Santos, revelando a disparidade no desempenho das crianças, a partir da escolaridade da mãe

Através de gráficos, dados e estudos feitos no Brasil e no mundo, Daniel Santos mostra como as crianças que mais se beneficiam do ensino infantil, no Brasil, são as oriundas das famílias mais ricas, com mais escolaridade. Justamente o grupo das crianças mais vulneráveis, que deveria ser mais beneficiado pela educação infantil, parece não receber os impactos positivos. “Ou o Brasil é muito diferente do mundo, ou há uma enorme heterogeneidade na qualidade das creches brasileiras”, ele diz. As escolas infantis no Brasil deixam a desejar e precisam melhorar. Esquemas de punição e recompensa funcionam muito mal na primeira infância, pois o lúdico é muito importante. A responsividade dos adultos também é fundamental — é preciso responder à criança e acolhê-la quando ela procura interação. Além disso, um aspecto que indica a má qualidade da educação infantil no Brasil é a alta rotatividade dos educadores. Daniel explica que a educação infantil, em grande medida, é vínculo. E a rotatividade prejudica o vínculo, pois a confiança é quebrada.

A importância do ambiente

A terceira aula, “Cuidando do contexto de desenvolvimento da primeira infância”, conta com a colaboração de Rogério Lerner, professor associado no Instituto de Psicologia da USP, e aborda a importância do meio na criação da criança. Ambientes com muito estresse e pouca segurança oferecem riscos que podem influenciar o indivíduo por toda a vida. Lerner dá especial atenção ao período de gestação. O sistema nervoso da mãe influencia o bebê e, quando o estresse está acima do recomendado, a placenta não trabalha de modo correto. Fiquei especialmente impressionada ao saber que o estresse intrauterino pode fazer com que as meninas sejam mais ansiosas na vida adulta e tenham forte tendência à obesidade. Embora meu filho já tenha seis anos, a aula serviu como um poderoso lembrete de que as emoções dos cuidadores têm enorme impacto nas crianças.

Desenvolvimento cerebral

A quarta e última aula, “Desenvolvimento do cérebro na primeira infância, saúde e bem-estar”, é dada por Marcilia Lima Martins, neuropediatra do Sabará Hospital Infantil e pesquisadora do Instituto PENSI, apresenta diversas informações sobre as fases do cérebro da criança. Como mãe, achei o conteúdo rico e pertinente. Isso porque muitas vezes os adultos recriminam as crianças ou pedem a elas atitudes que não condizem com a fase de desenvolvimento cerebral.

Marcilia Lima Martins na última aula do curso

O curso foi assistido por mais de 28 mil pessoas até agora, mostrando que há demanda por informações que possam complementar a formação de profissionais de saúde, educadores e famílias. Prestar atenção na infância nunca é demais. Como Lino de Macedo explica, “a criança pequena e, agora, os idosos são os dois extremos ‘esquecidos’ ou ‘ignorados’ do nosso ciclo de vida. Resgatar o valor deles, bem como saber sobre suas características e desafios, é algo muito valioso”.

 

Via Rede Galápagos

 

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