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Tudo sobre erros inatos do metabolismo
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Tudo sobre erros inatos do metabolismo

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24/08/2023
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Nosso corpo depende de uma série de reações químicas para se manter vivo e saudável. Essas reações, conhecidas como metabolismo, acontecem no nível celular. Através do metabolismo, obtemos energia, produzimos moléculas importantes e eliminamos do organismo resíduos tóxicos.

Para algumas pessoas, as reações metabólicas não ocorrem como deveriam, devido a doenças genéticas raras chamadas erros inatos do metabolismo (EIM). Estima-se que 5 a cada 10.000 nascidos vivos tenham alguma dessas doenças, sendo que há mais de 500 reconhecidas na categoria.

Nessas doenças, é comum que as enzimas que participam de determinado processo metabólico não atuem corretamente. Isso ocorre por um erro no gene que as codifica, que deixa de funcionar ou não funciona tão bem quanto deveria e, assim, carrega informações errôneas sobre como produzir a substância. A enzima é, então, produzida com falhas, provocando reações das mais variadas.

Falhas em diferentes reações têm diferentes efeitos. Se o erro é no metabolismo de alimentos, por exemplo, pode ser que a transformação das substâncias em glicose seja dificultada, levando à hipoglicemia; já se o erro é em processos de eliminação, pode haver acúmulo de substâncias tóxicas no organismo.

A detecção precoce pode ser feita por meio da triagem neonatal, através de exames como o Teste do Pezinho. Há também o Teste da Bochechinha, exame que pode ajudar a identificar as doenças metabólicas precocemente. As doenças são inatas, ou seja, o indivíduo nasce com elas, e detectá-las quanto antes é fundamental para a adoção de cuidados específicos e prevenção de consequências graves.

Marcilia Lima Martyn, neurologista infantil no Sabará Hospital Infantil e consultora do Instituto PENSI

A ausência de sintomas específicos costuma dificultar o diagnóstico. Foi o caso de Dona, diagnosticada com lipofuscinose ceroide neuronal tipo 2 (CLN2), um erro inato do metabolismo. O diagnóstico veio quando ela estava com cinco anos, após anos de sintomas, que foram inicialmente tratados como normais da idade. “Aos dois anos, mais ou menos, ela começou com crises de ausência. A gente fez a investigação e a médica descartou, considerando como um comportamento normal da primeira infância, que iria sumir logo”, conta a administradora Simone Oliveira, mãe de Dona.

Crises de ausência são um tipo de episódio epiléptico, em que a pessoa parece se desligar brevemente do ambiente. As crises continuaram até os quatro anos de Dona, idade em que começou a ter convulsões. “Ela teve episódios em que acordou na madrugada muito chorosa, não deixava que ninguém a pegasse no colo, nem acalmá-la. Ela se debatia, parecia uma mistura de sonho ruim, pesadelo com birra, e ela fez xixi e vomitou”, relata Simone.

Após seis meses, em fevereiro de 2023, Dona foi diagnosticada com o erro inato do metabolismo. Como consequência da convulsão, passou a apresentar limitação na fala e mudança no caminhar. “Ela começou a ter dificuldade em pronunciar palavras que ela já falava normalmente e passou a andar na ponta dos pés”, diz a mãe.

O erro inato do metabolismo de Dona se chama lipofuscinose ceroide neuronal tipo 2. Nele, variações genéticas levam à deficiência da enzima TPP1, resultando em um acúmulo de certas substâncias. Como consequência da síndrome, estão sintomas como crises convulsivas, dificuldades para caminhar e perda visual progressivas. “Dona tem estrabismo, e depois a gente descobriu que esse estrabismo e o uso de óculos são por causa da síndrome.”

Hoje, a garota faz acompanhamento com fisioterapeuta, neurologista e geneticista, toma anticonvulsivantes e, em breve, será avaliada para começar tratamento medicamentoso para a doença e investigar se há outras necessidades. “Atualmente há muitas alternativas de tratamento muito tranquilos para evitar crises. É literalmente fazer um acompanhamento, entrar com medicamento e seguir a vida normal”, conclui Simone.

Não há cura para os erros inatos do metabolismo, mas para muitas dessas doenças existem alternativas para tratamento e gerenciamento de sintomas, como no caso de Dona. A detecção precoce é fundamental, permitindo reduzir o risco de consequências graves. Outro exemplo é no caso da fenilcetonúria, em que esse cuidado pode ser feito através da alimentação.

A neurologista infantil Marcilia Lima Martyn explica que na fenilcetonúria há um erro no metabolismo da fenilalanina, levando a um acúmulo da substância no organismo. “Precisamos de uma enzima chamada fenilalanina hidroxilase, mas como o gene traz a informação genética errada sobre como produzir essa enzima, ela não processa corretamente.” Assim, pode ser que a substância seja pouco ou nada processada, ou, ainda, processada inadequadamente. O resultado é um acúmulo de fenilalanina, que é tóxica para o cérebro e pode resultar em atrasos no desenvolvimento. Nesse caso, a detecção precoce possibilita evitar esse acúmulo: a criança não consome alimentos e bebidas contendo fenilalanina, diminuindo o risco de desenvolver a doença.

Alimentos com fenilalanina, como alguns refrigerantes, contam com a indicação na embalagem. Evitá-los é importante para quem tem fenilcetonúria

Há ainda erros inatos do metabolismo em que a dieta pode ser usada para suplementar substâncias em falta, entre outras possibilidades de tratamento, que, essencialmente, variam de acordo com os processos metabólicos especificamente afetados por cada doença.

Hoje, o diagnóstico da fenilcetonúria é possível pelo Teste do Pezinho, realizado de forma gratuita pelo SUS (Sistema Único de Saúde) logo após o nascimento. A análise de algumas gotas de sangue coletadas do calcanhar do bebê possibilita a detecção, promovendo o manejo da doença antes mesmo da apresentação de sintomas.

Outros erros do metabolismo podem ser identificados após o nascimento com o Teste da Bochechinha, em que, com o auxílio de um cotonete, é coletada uma amostra da mucosa da boca do bebê. O teste pode ser realizado em qualquer idade, mas os benefícios são maiores quando feito no primeiro ano de vida, visto que a maioria das doenças testadas se manifesta nesse período.

Apesar de não estar disponível no SUS, Martyn aconselha a quem puder que realize o teste em seus filhos. Ainda não há tratamento eficaz para todos os erros inatos do metabolismo, sendo que as possibilidades variam conforme o caso, mas a identificação precoce pode fazer a diferença para muitas dessas doenças: “Identificando logo após o nascimento, alguns cuidados já podem ser adotados para prevenir o desenvolvimento”, declara a especialista.

 

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Por Rede Galápagos

Comunicação PENSI

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  • Fernanda Raquel de Oliveira souza disse:

    Boa tarde, tá tudo bem?!
    Meu nome Fernanda, estudante de Serviço Social e tenho 43 anos e mãe do Taylor Oliveira Souza.Meu filho foi diagnosticado com síndrome de Alps. É um desespero total porque eu enquanto mãe e responsável por ele, foi muito difícil conseguir o exame genético.
    É muito importante para os pacientes raros investimentos em pesquisas.

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