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Vírus Sincicial Respiratório (VSR), o vilão da vez
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Vírus Sincicial Respiratório (VSR), o vilão da vez

Vírus Sincicial Respiratório (VSR), o vilão da vez

08/02/2023
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Coriza, tosse, febre e mal-estar. Esses são sintomas que podem indicar apenas um resfriado, mas o quadro também é provocado pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), agente causador de doenças como a bronquiolite, inflamação que dificulta a chegada do oxigênio aos pulmões. Provocada por vírus, a doença ocorre sazonalmente, sendo sua incidência mais frequente nos meses de outono e inverno no Brasil, principalmente em crianças com até dois anos de idade. Nas épocas dos picos sazonais, as pediatrias e UTIs pediátricas ficam lotadas, sendo quase impossível encontrar uma vaga.

No período entre 11 de dezembro do ano passado e 07 de janeiro deste ano, a prevalência de VSR entre os internados por complicações respiratórias saltou para 13%, sendo as principais vítimas pacientes de até 4 anos, segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Nas últimas semanas, os dois hospitais infantis de referência – Darcy Vargas e Cândido Fontoura “registraram um aumento de cerca de 20% nos atendimentos para o VSR”.

No Sabará Hospital Infantil, chegamos a ter quatro casos positivos para cada dez testes rápidos de VSR realizados, entre 10 e 16 de dezembro. Esse percentual caiu na última semana de 2022, mas teve um ligeiro aumento nos primeiros sete dias deste ano, atingindo 18%.

Esse é um fenômeno que está ocorrendo no mundo todo, e acredita-se que seja uma consequência da pandemia de covid-19, quando as crianças ficaram isoladas e sem irem às escolas e com pouco contato físico com outras crianças, impedindo a circulação normal de vírus comuns e da ativação do sistema imunológico, que naturalmente acontecia nos primeiros anos de vida.

O VSR, que produz sintomas semelhantes a um resfriado, mas pode ser fatal para crianças pequenas (menores do que 2 anos) e adultos mais velhos, causa cerca de 14 mil mortes por ano em pessoas a partir de 65 anos. A doença aumentou nos Estados Unidos e na Europa, juntamente à gripe e à covid-19.

Atualmente, não há vacina para o vírus em adultos. Além da Pfizer e GSK, Moderna, Johnson & Johnson e Bavarian Nordic, a empresa conhecida pela vacina contra a varíola dos macacos Jynneos, também está trabalhando em vacinas contra VSR para adultos mais velhos. As grandes farmacêuticas se apressam para colocar no mercado uma vacina eficaz, mas isso ainda parece um pouco distante, principalmente para as crianças. A Pfizer e a GSK apresentaram pedidos de aprovação regulatória no final do ano passado. A vacina para VSR da Pfizer foi considerada 67% eficaz contra dois ou mais sintomas, em ensaios de estágio avançado em pacientes acima de 60 anos.

A Moderna disse que pretende submeter sua vacina, a mRNA-1345, para aprovação regulatória global ainda no primeiro semestre deste ano. O presidente da Moderna, Stephen Hoge, disse à imprensa que sua vacina parece se comparar favoravelmente às vacinas experimentais da Pfizer e da GSK.

“É muito animador ver o progresso nas vacinas contra VSR em adultos idosos, e acho que ambas mostraram resultados notáveis”, afirmou Hoge na mesma entrevista. “Realmente achamos que estamos nessa classe superior; 84% é um número de eficácia excelente.” Ao que parece, a eficácia entre as crianças ainda não foi testada.

O estudo da Moderna foi conduzido com cerca de 37 mil participantes de 60 anos ou mais. A análise dos dados foi realizada após 64 participantes contraírem o VSR. A empresa planeja divulgar os dados completos em uma reunião médica.

A Moderna iniciou análises secundárias sobre a eficácia da vacina contra doenças mais graves e hospitalização. Os efeitos colaterais mais comuns do imunizante são dor no local da injeção, fadiga e dor de cabeça.

Por enquanto, o que se tem disponível é uma imunoglobulina (ou anticorpo) que atua especificamente contra o vírus sincicial controlado. Não é uma vacina, pois não estimula o sistema imunológico a produzir – é um anticorpo pronto que neutraliza o VSR que circula na corrente sanguínea e inibe sua perspectiva. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza, desde 2013, o medicamento palivizumabe – indicado especialmente para bebês prematuros até 28 semanas gestacionais, no primeiro ano de vida, e para bebês com displasia bronco pulmonar ou cardiopatia congênita, independentemente da idade gestacional ao nascer, até o segundo ano de vida.

Enquanto não tivermos a vacina disponível, a prevenção é o melhor caminho. O vírus é muito contagioso, sendo transmitido pelo ar, por toque e por objetos contaminados. A prevenção é similar às outras infecções de causa viral, incluindo a covid-19. Reforçamos a importância de evitar ambientes fechados e com aglomeração de pessoas – sobretudo nos primeiros três meses de vida. Manter os ambientes com ventilação adequada, lavar as mãos com sabão ou usar álcool em gel, além de máscaras, são outras medidas que favorecem a redução da transmissão viral.

Fonte:

https://pedoburrodanoticia.com.br/moderna-diz-que-vacina-e-84-eficaz-contra-sintomas-de-virus-sincicial-respiratorio-em-idosos/

Saiba mais:

https://institutopensi.org.br/quando-e-mais-do-que-apenas-um-resfriado/

https://institutopensi.org.br/blog-saude-infantil/bronquiolite/

https://institutopensi.org.br/blog-saude-infantil/precisamos-falar-sobre-os-virus-respiratorios/

 

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

(CRM-SP 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com especialização na Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduação em Gestão na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás, David e Benjamim.

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