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25 de agosto: Dia Nacional da Educação Infantil
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25 de agosto: Dia Nacional da Educação Infantil

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25/08/2020
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A Educação Infantil, felizmente, é considerada, hoje, como uma das políticas públicas mais importantes para o futuro do mundo, bem como para o presente das crianças e das pessoas que cuidam delas e as educam. Cuidar e educar — este é o binômio que expressa o valor que atribuímos às crianças, sobretudo, as pequenas, com idade até seis anos. Cuidar é prover o que necessitam para sua saúde e bem-estar, prover o que necessitam para crescer e se desenvolverem. Educar é prover o que as crianças necessitam para se tornar, pouco a pouco, parte integrante de nossa cultura e sociedade, com suas normas, crenças, atitudes, valores e formas de expressão.

Nossas crianças, em geral, são educadas e cuidadas em uma família e em uma escola, em suas múltiplas formas de organização e expressão. Daí uma pergunta crucial: o que é e como ser uma escola ou uma família que educa e cuida bem das crianças?

*Uma boa escola ou família considera as crianças, mesmo as bem pequenas, como seres socioemocionais. Elas são cuidadas e educadas por adultos pertencentes a uma cultura e a uma sociedade. Crianças não sobrevivem por si mesmas. Requerem cuidados e educação de qualidade. São as outras pessoas, sobretudo nos primeiros anos de vida de uma criança, que lhe dão comida, cuidam de sua higiene, saúde e bem-estar. Da parte delas, as crianças sabem reconhecer a qualidade e a quantidade de cuidado que recebem dos adultos dos quais são dependentes. Se o afeto que lhes dão é positivo, confiável, elas crescem com esperança na vida, se vinculam a essas pessoas, buscam se desenvolver à semelhança delas. Se o afeto que lhes dão é negativo, não confiável, elas crescem com medo, são fugidias ao contato com os outros, temem por suas vidas tão frágeis. Mas, não basta cuidar e educar apenas no sentido de prover as necessidades básicas.

Crianças precisam de interação lúdica com os adultos, gostam de brincadeiras face a face nas quais eles falam com elas, dão risadas, cantam, contam histórias, se divertem e as divertem. É que por gosto e necessidade de sobrevivência, crianças são ótimas “leitoras” das emoções das pessoas que as cuidam e educam. Sabem reconhecer a sua pressa, a sua raiva, o seu medo, ou, então, a sua alegria, a sua presença. Por intermédio dessas pistas emocionais, elas se orientam ao como agir ou reagir diante de uma situação particular. Elas se vinculam aos que cuidam delas e as educam. Sabem que são fonte de seu conforto físico, alimentação, higiene, saúde bem como alegria de viver.

*Uma boa escola ou família considera as diferenças individuais das crianças. Nenhuma é igual à outra. É isso que significa “indivíduo”, ou seja, o que é não divisível, não redutível a um outro. Em certas famílias, mas sobretudo nas escolas de educação infantil é muito comum o risco de elas serem tratadas “coletivamente”, como um conjunto ao qual se faz tudo “igual”, na “mesma hora”, no “mesmo ritmo”, do “mesmo jeito”. Crianças têm “temperamentos” diferentes umas das outras. Ou seja, têm diferentes tendências e sensibilidades de respostas aos mesmos estímulos. Umas são pacientes, calmas, seguras. Outras são “choronas”, inquietas, sensíveis a sons, temperaturas, cheiros. Valorizar diferenças individuais é poder interagir com cada criança como sendo única, sabendo que, ao mesmo tempo, as crianças precisam se desenvolver para se tornar, cada vez mais e melhor, partes de uma sociedade, cultura, partes do mundo.

* Uma boa escola e uma boa família valorizam os fundamentos da educação infantil. O fato é que a qualidade da creche faz a diferença. Todas as crianças merecem, ao ótimo de suas possibilidades de seu desenvolvimento, uma boa creche. Precisam de cuidadores consistentes, bem formados, seguros da importância de seu papel profissional, interessados em oferecer o que é melhor para cada criança. O mesmo vale para a vida em casa. Crianças precisam de pais conscientes, amorosos e zelosos para esta — a de gerar, cuidar e educar as crianças — que é uma das principais funções e projetos dos adultos. É triste saber que muitas crianças pobres só podem se educar em escolas igualmente pobres, com poucos recursos, com professores mal preparados para sua importante função. É triste saber que muitas crianças pobres têm também pais pobres, que não puderam estudar ou pouco puderam fazê-lo, que trabalham de manhã para obter recursos ao que vão comer à tarde. Crianças que vivem em lugares perigosos, sem água encanada, luz ou esgoto sanitário. É triste saber que, sob iguais condições, o que diz ou pensa uma criança pobre é considerado menos importante ou menos válido do que o que diz ou pensa seu colega rico. Valorizar a educação infantil é, portanto, oferecer em casa e na escola, tanto quanto possível, a melhor qualidade de vida a todos, sem exceção.

* Por isso, uma boa escola e uma boa família interagem e colaboram entre si, em favor do melhor para suas crianças. Por isso, buscamos aperfeiçoar nossa forma e nossas condições de cuidar delas e as educar. Boa escola e boa família não competem entre si, uma não tenta, por impossível e indesejável, substituir a outra. Sabem que para uma, crianças são “alunos e alunas” e que, para a outra, crianças são “filhos e filhas”. Daí que elas buscam se complementarem em favor do indissociável que são a vida e o viver de cada criança.

… Esses meses de pandemia, em que as crianças não puderam frequentar a escola, foram de grande desafio. Alguns pais e mães sofreram com a difícil realidade de não terem o que lhes oferecer em casa, de se sentirem inseguros, omissos, ou incapazes de atender às necessidades de seus filhos. Tomaram consciência da falta que lhes faz uma boa escola para eles. Os educadores, de sua parte, se viram substituídos por tecnologias digitais, quando seus alunos precisam de contato físico, segurança emocional, e de se relacionarem com seus pares e com os adultos de sua confiança.

A cultura oral, da relação direta, sensorial e simbólica entre pessoas e coisas, vem primeiro na vida das crianças pequenas bem como na própria história da humanidade. Ou seja, sobretudo nos primeiros seis anos de vida, crianças necessitam ao seu desenvolvimento e aprendizagem de conviver com pessoas confiáveis, de viverem uma vida saudável, alegre, comunicativa, segura. Assim, aprendem a se vincular com o mundo, aprendem a falar e se comunicar, a andar, a brincar, a conhecerem a si mesmas, aos outros e as coisas do mundo. A cultura digital virá depois e para elas virá muito mais rápido e melhor do que para nós, os mais velhos. Mas, se trata de não apressar, de não substituir. Daí porque espero que as crianças possam voltar a ter um contato mais direto com pessoas e coisas que lhes são caras. Todas as crianças merecem a melhor educação infantil. E lembrar disso, nesse dia, é algo muito auspicioso!

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Lino de Macedo

Lino de Macedo

Professor Emérito do Instituto de Psicologia (USP), assessor pedagógico do Instituto PENSI, integrante da Cátedra de Educação Básica do IEA (USP), membro da Academia Paulista de Psicologia e do Comitê Científico do Núcleo Ciência pela Infância.

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mensagem enviada

  • Sonia Ramos disse:

    Grande mensagem
    As nossas crianças merecem um olhar observador , de todos que a cercam.Os pais precisam ter condiçoěs de um trabalho digno para que possam sustentar sua familia com dognidade

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