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A alimentação infantil e as férias de julho
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A alimentação infantil e as férias de julho

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06/07/2023
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Há algum tempo, escrevi um longo texto sobre as férias escolares, especialmente sobre o fato de que muitos de nós não temos um período de recesso no mesmo momento em que nossos filhos, atrapalhando (e muito) a programação de todos.

O artigo a qual me refiro foi escrito para as férias de verão. No Brasil, as férias de inverno são mais curtas, dependentes do clima – principalmente nos locais mais frios, e mais difíceis de se organizar, pois, na maioria das vezes, os pais e cuidadores estão trabalhando neste período.

Apesar das enormes diferenças de temperatura de acordo com a região do país, com variações de chuva, possibilidade de praia ou exposição maior ao sol, a palavra-chave da alimentação adequada para todos os períodos é planejamento. Volto sempre a este conceito, pois é extremamente importante que todos se organizem para poderem enfrentar este período de possível descanso para as crianças e, às vezes, esgotamento dos pais.

Vamos refletir sobre algumas perguntas simples: “Vamos viajar?”, “Por quanto tempo e para onde?”, “Será praia, sítio, montanha?”, “Hotel fazenda ou tradicional?”, “Com refeições em período parcial ou integral?”, “Será que acharemos a comida que meu filho(a) NÃO come bem aqui?”, “Será que tem buffet?”, “Será que eu posso cozinhar onde vou ficar?” ou ainda “Existem locais de compra próximos?”.

Cada uma destas situações exige um preparo diferente. Maior tempo de viagem, implica muitas mudanças de cardápio, por exemplo. Já viagens ao exterior obrigam a pensar desde a comida do avião até o local onde vocês devem se hospedar.

Estas situações podem e devem ser conversadas com o pediatra ou nutricionista, especialmente no caso das crianças com maiores dificuldades alimentares, autistas, crianças neurodiversas ou mesmo as que são somente ‘chatas’ para comer (picky eaters).

Se vocês forem viajar para locais onde estão outros parentes, em outras cidades, ou mesmo se as crianças forem passar alguns dias na casa dos avós, vale a pena conversar com o pessoal sobre os exageros, a amorosidade transformada em um alimentar contínuo de coisas doces ou apetitosas e como se preparar para as crianças ‘difíceis’.

Acredito que fazer pequenas modificações prévias a viagem, para que a criança vá se acostumando a outros horários, como preparações, locais de refeição, alimentos diferentes e a presença de outras crianças, pode fazer a diferença.

Neste período, algumas crianças podem ir a acampamentos ou a clubes preparados para atividades de férias. Se forem atividades diárias em que a criança retorna para casa, o planejamento é mais fácil, já que são menos refeições fora de casa. Se for em viagem, é preciso conhecimento do local, rotinas e formas de modificar as preparações para que a criança não tenha medo de sair de casa. Lembre-se que, muitas vezes, por suas influências, ela pensa mais em como será na hora da comida do que nas inúmeras atividades que fará.

Lugares com maior inflexibilidade poderão causar insegurança a você e ao seu filho(a). É essencial conversar com os responsáveis pelo lugar onde você escolheu que seu filho(a) fique.

Outro problema que vemos muito neste período, quando em viagem, é como controlar uma criança que tem muito apetite ou excesso de peso. Vale outra vez a regra de entender onde seu filho(a) ficará e discutir com ele(a) sobre os excessos, compras, onde serão feitas as refeições, os lanches e quais as possibilidades de pequenas quebras de disciplina. Afinal, um sorvete por dia talvez seja meio exagerado para quem já possui problemas de peso, não é mesmo? Mas, e se este sorvete tiver sido feito com frutas, sucos naturais, com preparação caseira, sem açúcares e sem conservantes? Assim como já ocorre na sua casa, uma pizza (obviamente não a pizza inteira) no final de semana pode ser negociada.

Muitas viagens são feitas para locais com praias ou sol – um bom momento de exposição controlada para aumentar os nossos níveis de Vitamina D. As velhas regras do sol cedo ou ao final da tarde, não ficar o dia todo exposto sem proteção solar renovada, e bom senso, devem prevalecer.

Quando viajamos a lugares mais frios e montanhosos, devemos lembrar que muitas das atrações dos lugares estão na comilança: chocolates, doces, cafés coloniais (com muitos pratos desfilando diante de nossos olhos), fondues, churrascos e fogão de lenha… Cuidado com os buffets gigantescos, com muitas ofertas. Lembre-se de caminhar pelo recinto, vendo todas as preparações e somente aí escolher o que vai comer. Isto também vale sempre para os restaurantes por quilo.

Para terminar, repito um parágrafo que escrevi anteriormente sobre as férias escolares:

“Não é fácil preparar cardápios para o dia a dia no plano de rotina. Nas férias, isto é ainda mais complicado. Como manter as refeições principais sem pular algumas, especialmente o café da manhã? Lanches no lugar das refeições todos os dias? Complicado, não é? NÃO, se nos planejarmos adequadamente. Explore possibilidades, piqueniques, lanches com amigos, novas experiências sensoriais, brincadeiras e jogos. Inclua novos alimentos e preparações. Discuta isto com seus familiares e com os pais dos amigos de seus filhos. E, talvez, este problema, que é conciliar o seu período de trabalho e férias dos filhos, possa ser muito mais divertido, viabilizando descanso e qualidade de vida, tanto para as crianças como para os pais”.

Dr. Mauro Fisberg

Dr. Mauro Fisberg

Pediatra e Nutrólogo. Coordena o Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares (CENDA) do Instituto Pensi. Membro do corpo de orientadores em Pediatria e Ciências Aplicadas à Pediatria da UNIFESP.

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