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Amamentação e prematuridade
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Amamentação e prematuridade

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14/08/2019
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Temos que garantir este ouro líquido para as nossas crianças

O leite materno (LM) vem dar continuidade a todo um processo incondicional de amor oferecido da mãe para seu filho desde sua concepção, que inclui afeto, carinho, nutrição e crescimento. Juntamente com a geração de uma criança, também está se gerando um abastecimento de alimento, totalmente ajustado às necessidades do bebê, ou seja, com todas as vantagens nutricionais e imunológicas específicas. É esta joia rara, este ouro líquido, que após o nascimento fará com que esta criança cresça saudável e feliz.

Desde 1948 a Organização Mundial de Saúde (OMS), para incentivar a amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida do bebê, criou a Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM) e ocorre nos primeiros sete dias da primeira semana de agosto. Anualmente na SMAM é definido um tema em prol a amamentação, disseminado para todos os países para que possam trabalhar de forma conjunta com o intuito de incentivar e ressaltar as inúmeras propriedades do aleitamento materno e, com isto, reduzir a mortalidade infantil e desfechos negativos decorrentes da falta da amamentação.

 

SEMANA MUNDIAL DO ALEITAMENTO MATERNO – SMAM 2019

TEMA: Empoderar mães e pais, favorecer a amamentação. Hoje e para o futuro

Em relação à prematuridade, os benefícios do aleitamento materno são indiscutíveis. Comprovados cientificamente, pois contém nutrientes de fácil digestão e absorção, estando os mesmos ajustados às necessidades do bebê e à sua idade gestacional. Esta perfeita combinação de proteínas, gorduras, carboidratos, minerais, vitaminas, enzimas e células vivas, faz com que o LM esteja totalmente ajustado para um nascimento precoce. O leite materno tem a capacidade de se adaptar às necessidades do bebê, ou seja, conforme já mencionado, a composição do LM é adequada para a idade gestacional do recém-nascido. A presença dos ácidos graxos (gorduras) ajuda no desenvolvimento cerebral. Somam ainda a esses benefícios nutricionais, os fatores imunológicos (redução do tempo de hospitalização, da sepse neonatal, da retinopatia   da   prematuridade, de   doenças   respiratórias   e   de   enterocolite   necrosante), fatores psicológicos e econômicos, todos imprescindíveis para um crescimento e desenvolvimento adequados em sua maior situação de vulnerabilidade. Estudos mostraram que prematuros que receberam leite materno tiveram menos enterocolite necrosante e apresentaram níveis mais elevados de quociente de inteligência (QI).

Amamentar prematuros é, sem dúvida, um desafio. Em função da imaturidade dos muitos órgãos, dentre eles o trato gastrointestinal, e a incoordenação ou a falta de reflexos de sucção, deglutição e respiração, as crianças que nasceram muito prematuras necessitam receber suas primeiras calorias por via intravenosa. Paralelamente a esta nutrição, a alimentação enteral, também chamada de nutrição trófica, deve ser iniciada, por meio de sonda orogástrica. Mesmo que seja em quantidades insuficientes para nutrir o bebê, é de grande importância para evitar a atrofia das vilosidades da mucosa intestinal e a prevenção de infecções graves.

Na impossibilidade do recém-nascido (RN) receber o leite de sua própria mãe, é oferecido, na maior parte das unidades neonatais, o leite doado aos bancos de leite humano e postos de coleta. É um procedimento seguro, pois o leite passa por um rigoroso processo de seleção, classificação e pasteurização até que esteja pronto para ser distribuído com qualidade certificada aos bebês internados em unidades de terapia intensiva neonatais. Este leite é doado de mulheres em fase de amamentação e que produzam um volume de leite acima da capacidade da quantidade ofertada ao seu filho.

Superadas as barreiras dos problemas respiratórios e de adaptação, e cessada a transição da oferta de leite por sonda gástrica para a oferta oral, o próximo passo é nutrir adequadamente esses bebês no seio materno. Inicialmente, eles podem apresentar uma sucção lenta e fraca, se cansam e podem até se engasgar com mais facilidade. Nesta etapa, devido ao maior esforço para sugar, há um maior gasto de energia e a criança pode perder peso. Deve-se, então, ter um rigoroso controle do peso, estatura e crescimento da cabeça do bebê. É neste momento que todos os profissionais de saúde devem apoiar esta mãe de forma integral, para a manutenção do aleitamento materno.

Márcia de Freitas

Márcia de Freitas

Márcia de Freitas é formada pela Faculdade de Medicina de Catanduva em 1985, com residência em neonatologia pelo Hospital Escola Vila Nova Cachoeirinha, mestrado e doutorado pelo departamento materno infantil da Faculdade de Saúde Publica da USP, instrutora do curso de reanimação neonatal pela Sociedade Brasileira de Pediatria, membro do grupo de estudos dos efeitos do álcool na gestante, feto e recém-nascido pela Sociedade Brasileira de Pediatria, membro da câmara técnica de pediatria do Conselho Regional de Medicina de São Paulo e pós graduação em Preceptoria de residência médica por metodologia ativa. Trabalhou por 30 anos na Unidade Neonatal do Hospital Israelita Albert Einstein, por 12 anos na Auditoria do SUS no Ministério da Saúde, por 18 anos no Hospital Infantil Menino Jesus (SP) na área de neonatologia e seguimento de crianças nascidas de risco.

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