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Brinquedos e brincadeiras têm sexo?
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Brinquedos e brincadeiras têm sexo?

Brinquedos e brincadeiras têm sexo?

11/09/2013
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Durante a infância, acontecem as experiências lúdicas, onde a criança decide aquilo que lhe é mais atraente

Brinquedos e brincadeiras têm sexo

Um tema interessante de ser analisado é o relativo à preferência lúdica de meninos e meninas por brinquedos e brincadeiras. É interessante, porque estimula muitas perguntas. O que eles preferem? Do que eles gostam de brincar? O que elas preferem? Do que gostam de brincar? Haverá brinquedos e brincadeiras comuns aos dois sexos?

Quando um menino brinca e gosta de brinquedos “próprios” às meninas, isto indica alguma tendência ou opção de gênero? E, vice versa, o mesmo vale para as meninas? A mídia e a indústria de brinquedos influenciam ou determinam as preferências lúdicas de meninos e meninas bem como estimulam o consumo mais que o uso? É bom que pais e educadores intervenham favorecendo ou inibindo interação com brinquedos ou realização de brincadeiras não “adequadas” ao sexo da criança? A preferência lúdica é determinada pela cultura, pelos avanços da tecnologia?

Preferência lúdica refere-se à tendência de uma criança, independente do sexo, escolher certos tipos de brinquedos ou brincadeiras como as mais desejáveis ou mais interessantes para ela. Isto supõe, obviamente, possibilidade de opções, ou seja, ter mais de um brinquedo, tempo, espaço e condições favoráveis para expressar tais escolhas. Há culturas, famílias ou situações em que estas possibilidades são mínimas ou não são permitidas. Daí que escolher ou preferir implica poder ou ter o que escolher o que preferir. Dadas estas premissas, é comum observarmos diferenças entre as preferências lúdicas de meninos e meninas, sobretudo a partir dos dois anos de idade.

Esta relação entre expressão de preferência e de idade não é apenas uma questão cultural. Ela também está vinculada aos processos de desenvolvimento da criança. Segundo Piaget, por exemplo, é só no segundo ano de vida que ela tem recursos cognitivos e afetivos para realizar explorações lúdicas, ou seja, pode e se interessa em fazer experimentações com os objetos, investigando diferentes maneiras de se relacionar com eles, de empilhá-los, de batê-los, de produzir sons, etc. Explorar, investigar, encontrar novos meios de brincar com uma mesma coisa ou interessar-se pelo novo possibilita ou implica expressão de preferência.

Em geral, pela observação podemos verificar que meninos preferem atividades mais movimentadas dos 2 aos 7 anos. Gostam de pular, correr, medir forças, brincar com miniaturas de animais, seres pré-históricos, jogar bola, gritar. Meninas, nesta idade, preferem brincadeiras de faz de conta, brincar de casinha, imaginar papéis, colecionar bonecas, cantar, conversar. Dos dois lados, obviamente, há exceções. O importante para mim é que nós deixemos as crianças, ao menos no contexto de suas brincadeiras, assumirem seus desejos e preferências.

É importante que se faça uma diferença entre brinquedos e brincadeiras. Brinquedos são objetos: bolas, bonecas, iPads, miniaturas, etc. Brincadeiras são as atividades que as crianças realizam com os brinquedos. Há brincadeiras que não supõem brinquedos, pois o próprio corpo ou a imaginação da criança são suficientes. Há brincadeiras impossíveis de serem realizadas sem o objeto, a bola, por exemplo. Há brinquedos, os livros infantis, que são melhores utilizados com a ajuda de um adulto, que sabe ler e contar a história.

A brincadeira da criança, neste caso, é ouvir e se deliciar com tudo aquilo que o conto e o contador despertam nela. A música fica em uma situação intermediária: a criança pode criar e tocar instrumentos, sobretudo os improvisados, e também se delicia com os estímulos sonoros e o texto de uma bela canção.

Preferência lúdica é diferente de exclusividade lúdica ou preconceito lúdico. A cor rosa, penso, não é privilégio dos brinquedos e das roupas das meninas. O mesmo vale para a cor azul, em relação aos meninos. É certo que umas preferirão o rosa, e outros, o azul, mas isto não implica determinação. Há de se considerar também a influência do contexto doméstico. Em uma casa em que há uma menina e dois meninos a tendência é de as preferências lúdicas dos meninos ganharem, sem que isto signifique que a menina está se prejudicando. Pode também acontecer o contrário, em casa de meninas, quanto ao menino.

No âmbito da tecnologia visual ou digital, as preferências ou diminuem ou se expressam pela escolha dos programas. Meninos gostam de videogame e programas de ação com “violência”, “tiros” e “mortes” para todos os lados. Meninas gostam de jogos de construção, jogos de papéis. O importante é observarmos e considerarmos todas estas múltiplas possibilidades de combinação.

Uma última palavra: brincar, brincadeiras, brinquedos são coisas de crianças. Nós, os adultos, por diferentes motivos interferimos, proibimos, estimulamos, criticamos o que elas fazem. Será que até nisto elas serão consideradas incapazes e subservientes aos nossos interesses, medos e ambições? Deixemos que as crianças brinquem e que, ao brincarem, descubram e reinventem o mundo, e que sejam livres e responsáveis por si mesmas.

Por Professor Doutor Lino de Macedo

Assessor de psicologia e educação do Instituto Pensi e Hospital Infantil Sabará

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal (CRM-SP: 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo , com Especialização na Universidade de São Paulo (USP) e Pós Graduação em Gestão na UNIFESP. Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás e David.

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