PESQUISAR

Sobre o Centro de Pesquisa
Sobre o Centro de Pesquisa
Residência Médica
Residência Médica
Prevenção de intoxicação: uma pílula pode matar
Compartilhar pelo Facebook Compartilhar pelo Twitter Compartilhar pelo Google Plus Compartilhar pelo WhatsApp
Prevenção de intoxicação: uma pílula pode matar

Prevenção de intoxicação: uma pílula pode matar

16/10/2020
  123   
  0
Compartilhar pelo Facebook Compartilhar pelo Twitter Compartilhar pelo Google Plus Compartilhar pelo WhatsApp

As crianças são curiosas e com certeza adoram colocar as coisas na boca! Explorar a sensação e o sabor dos objetos faz parte de como eles aprendem sobre o mundo ao seu redor. A curiosidade incessante das crianças é o que traz todas as grandes (e às vezes tolas) questões à tona, estimula a criatividade, mas também pode levar a problemas.

Como médico de emergência, sinto que já vi de tudo. De um marshmallow preso nas vias respiratórias de uma criança, a uma intoxicação por chumbo após engolir um pequeno brinquedo, para mantê-lo longe de seu irmão mais novo. Às vezes, essas emergências chegam perto de casa.

“Nossa linda e feliz filha Maria morreu de overdose de medicamento aos nove meses e 15 dias de idade. Ninguém em nossa casa tomava aquela medicação. Na casa da nossa vizinha, onde ela encontrou a pílula que a matou, ninguém (até onde sabemos) também. No entanto, durante as férias, um parente que tomava uma medicação controlada visitou a casa dos vizinhos. Poucos dias depois, em um jantar, Maria mostrou sua nova habilidade de engatinhar para espectadores encantados.

 Sem o nosso conhecimento, o familiar perdeu um comprimido na cozinha e não o recuperou. A pílula encontrou a mão de Maria e a mão dela encontrou sua boca. Seis adultos, três deles médicos, estavam na festa e Maria estava supervisionada o tempo todo. Saímos da festa perto da hora de dormir. Ela parecia com sono, então dissemos que a amávamos e a colocamos na cama. Horas depois ela estava morta”.

Esta história dramática é verdadeira, aconteceu nos Estados Unidos, e está aqui para mostrar o perigo que é manter remédios em casa sem estar armazenado de forma segura. Sabemos que cerca de 50 mil crianças americanas visitam o Departamento de Emergência todos os anos porque engoliram algo potencialmente perigoso. A maioria dessas crianças, ainda bem, vai para casa sem ter sofrido nenhum dano grave.

A notícia assustadora é que cerca de 9 mil crianças precisam ser hospitalizadas e algumas, como Maria, morrem por envenenamento. No Brasil, temos poucos dados, mas o temos a idade mais prevalente entre as vítimas de intoxicações exógenas acidentais: UM ano, com 26,1% dos casos. E a idade com menos representatividade foi a de menores de um ano, com 4,5% dos casos. Os atendimentos a crianças de zero a quatro anos representaram 72,6% dos casos. No Sabará Hospital Infantil este também é um atendimento comum, as vezes necessitando de internação e com quadros graves de UTI e até diálise.

Os remédios salvam vidas, mas também podem ser perigosos – especialmente para bebês, crianças e adolescentes. A melhor maneira de proteger as crianças de envenenamento não intencional é guardar os medicamentos com segurança.

Use estas 10 dicas para evitar que as crianças encontrem medicamentos em casa:

  1. Armazene todos os medicamentos em um armário ou prateleira alta, bem fora da vista de uma criança. Em cerca de metade das intoxicações por medicamentos de venda livre, a criança subiu em uma cadeira, brinquedo ou outro objeto para alcançar o medicamento.
  2. Mantenha os medicamentos em suas embalagens originais, com tampas de segurança para crianças.
  3. Se houver substâncias controladas (como medicamentos prescritos para dor ou remédios para TDAH), considere o uso de uma caixa trancada para segurança extra.
  4. Acompanhe quantos comprimidos estão no frasco e escreva a data de início no rótulo. Dessa forma, se ocorrer um derramamento, você saberá se algum está faltando.
  5. Ao dar remédios a seu filho, incline-se sobre um balcão ou mesa. Isso ajuda a conter derramamentos acidentais.
  6. Qualquer medicamento pode ser perigoso, por isso trate todos os produtos com o mesmo respeito. Alguns medicamentos para hipertensão e diabetes podem ser fatais para uma criança que engula apenas um comprimido.
  7. Se um medicamento derramar, aspire ou varra a área como uma precaução extra para garantir que nada seja esquecido.
  8. Descarte os medicamentos não utilizados.
  9. Conheça os primeiros socorros básicos e mantenha o número do centro de intoxicação (08000 148 110 em São Paulo capital) salvo em seu telefone. http://www.cvs.saude.sp.gov.br/procura_det.asp?procura_id=6
  10. Pratique o armazenamento seguro de medicamentos, começando assim que seu bebê nascer.

Quando praticava pediatria e os pais começavam a contar estas histórias, sempre começavam assim: “foi um segundo de distração” ou “eu nunca imaginei que meu filho seria capaz de subir lá” ou frases deste tipo. Estas histórias acontecem com muito mais frequência que você possa imaginar, portanto previna-se utilizando estas orientações.

Saiba mais:

 Fontes:

  • Poison Prevention: One Pill Can Kill

Elizabeth Murray, DO, American Academy of Pediatrics (Copyright © 2020)

  • Revista Paulista de Pediatria.

INTOXICAÇÕES EXÓGENAS ACIDENTAIS EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES ATENDIDOS EM UM SERVIÇO DE TOXICOLOGIA DE REFERÊNCIA DE UM HOSPITAL DE EMERGÊNCIA BRASILEIRO

Luciana Vilaça, Fernando Madalena Volpea, Roberto Marini Ladeira.

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal (CRM-SP: 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo , com Especialização na Universidade de São Paulo (USP) e Pós Graduação em Gestão na UNIFESP. Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás e David.

deixe uma mensagem O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

posts relacionados

INICIATIVAS DA FUNDAÇÃO JOSÉ LUIZ EGYDIO SETÚBAL
Sabará Hospital Infantil
Pensi Pesquisa e Ensino em Saúde Infantil
Autismo e Realidade