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“Para fazer uma contribuição positiva, é preciso determinação para descobrir como vencer os desafios”
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“Para fazer uma contribuição positiva, é preciso determinação para descobrir como vencer os desafios”

“Para fazer uma contribuição positiva, é preciso determinação para descobrir como vencer os desafios”

07/06/2023
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Dra. Luciana Rodrigues Silva, integrante do Conselho Científico do Instituto PENSI, é professora titular de pediatria e chefe do serviço de gastropediatria da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde fez graduação, residência médica, mestrado e doutorado. Especializou-se em gastroenterologia pediátrica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e é pós-doutorada pela Université Libre de Bruxelas e pelo Hospital Bicêtre, em Paris. É membro da Academia Brasileira de Pediatria e da Academia de Medicina da Bahia. Atuou em diversos cargos na Sociedade Brasileira de Pediatria, tendo sido presidente durante dois mandatos, de 2016 a 2022.

 

Ela foi eleita a primeira mulher presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, que em quase 115 anos só tinha sido presidida por homens. “Ter a oportunidade de inspirar os pediatras brasileiros e fazer com eles uma série de projetos foi muito gratificante”, relembra a dra. Luciana Rodrigues Silva, contando que a eleição foi resultado de sua atuação prévia, inclusive como vice-presidente, e graças ao engajamento de um grupo de colegas. A excelência faz parte da carreira da gastropediatra, que atua em consultório, criou o serviço de pediatria do Hospital Aliança, onde atuou durante 25 anos, e o do Hospital Mater Dei, em Salvador.

Aos 44 anos, ainda jovem, prestou concurso para professora titular da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e passou em primeiro lugar. É orientadora de mestrado e doutorado e membro permanente do Curso de Pós-graduação em Medicina e Saúde da UFBA. Participa ativamente de dois fóruns acadêmicos, a Academia Brasileira de Pediatria e a Academia de Medicina da Bahia. Conciliando sua vida profissional e acadêmica em Salvador, nunca deixou de lado a dedicação à família. “Sempre digo que as duas coisas que mais me realizaram na vida foi ser mãe e ser pediatra.”

Na entrevista a seguir, ela revela os pontos altos de sua colaboração na SBP e a importância da prática na assistência pediátrica para a formação na área, além de opinar sobre os potenciais do Instituto PENSI em pesquisa, na internacionalização e no ensino.

Notícias da Saúde Infantil — Qual o sabor e a responsabilidade de tornar-se a primeira mulher a presidir a Sociedade Brasileira de Pediatria?

Luciana Rodrigues Silva — É a maior sociedade médica do país e, até aquele momento, só tinha tido presidentes homens. Detalhe importante é que 70% dos pediatras brasileiros são do sexo feminino. Fazia muitos anos que eu vinha atuando em vários departamentos na SBP e tinha sido vice-presidente duas vezes. Quando comecei a ter a aspiração de estar à frente da sociedade, junto com um grupo engajado, fizemos a candidatura pelo meu nome e o nosso grupo foi eleito. Fizemos grandes mudanças nos seis anos de atuação. A sociedade desabrochou e floresceu; foi extremamente gratificante inspirar os pediatras brasileiros e fazer com eles uma série de projetos de trabalho. Tenho orgulho de ter sido a primeira mulher na presidência. É claro que sempre há desafios, mas, para fazer uma contribuição positiva, é preciso determinação para descobrir como vencê-los.

Notícias da Saúde Infantil — Pode dar exemplos do que foi aprimorado ou contar qual foi o maior projeto das suas gestões?

Luciana Rodrigues Silva — Demos início a uma nova filosofia, com a criação da rede de pediatria brasileira. Para isso foi uma experiência muito rica eu ter visitado quase todos os estados, vários serviços de pediatria e escolas de medicina com residência médica nessa área. A rede funciona até hoje e os pediatras colocam nela suas dúvidas e conquistas diariamente. Foi essencial ter integrado as várias regiões do país, porque anteriormente a presidência ficava no Sudeste e no Sul, e nós criamos vice-presidências em todas as regiões, demos voz aos profissionais da área e fizemos reuniões com eles. Além disso, divulgamos uma rica produção científica, que somou mais de 300 artigos e 2 novas edições do tratado de pediatria. Essa parte científica foi pujante, o que eu prezo bastante, pois dá margem para atualizar e valorizar os pediatras. Contribuímos para a autoestima e o fortalecimento da pediatria e influímos em políticas públicas de vários temas como aleitamento, licença-maternidade, crianças desaparecidas, número de leitos para pediatria e violência contra criança e adolescente. Durante a pandemia, além de congressos e atividades científicas on-line, criamos o programa de entrevistas Ped Talks, convidando profissionais renomados para falar de sua vida e inspirar os pediatras.

Notícias da Saúde Infantil — Quais são, atualmente, os grandes desafios da pediatria no Brasil?

Luciana Rodrigues Silva — Na minha opinião, os pediatras lidam com crianças e adolescentes e por isso são protagonistas na construção de um futuro melhor. Fomos três vezes ao Ministério da Saúde para mostrar a importância de cada criança ter o acompanhamento de um pediatra na promoção de saúde e hábitos saudáveis para que se desenvolva de modo adequado. Lutamos pela inserção do pediatra na assistência primária, pois é inadmissível que as crianças mais carentes só sejam atendidas no pronto-socorro no caso de urgência ou de doença quando todas as crianças deveriam ser acompanhadas por um pediatra. Como vice-presidente da Associação Médica Brasileira também já fui ao ministério para batalhar por isso. Outro desafio para a esfera pública é criar estratégias para levar médicos e pediatras aos lugares mais remotos do Brasil, dando a eles condições adequadas de trabalho. Apesar de este ser um problema de difícil solução, sou uma otimista convicta e acho que temos de continuar lutando. É preciso vontade política e tudo o que vem junto com ela. Algum tipo de bônus está sendo estudado pelo Ministério da Saúde. Participamos dessa discussão. Gostei muito da conversa que tive com a ministra da Saúde (Nísia Trindade Lima), que é uma professora com visão. Além de ser mulher, abraça a cultura da ciência, e os dados científicos são de extrema importância para basear as decisões.

Notícias da Saúde Infantil — Quais são os maiores entraves da formação na área pediátrica e o que tem sido feito para resolvê-los?

Luciana Rodrigues Silva — Atuei em vários segmentos da assistência pediátrica, tanto na esfera pública, no hospital universitário, como em hospitais particulares. Ao atender crianças nos diversos estratos socioeconômicos, consegui formar um retrato do nosso país e acho bem importante para quem ensina pediatria ter essa visão. Penso que a formação na área vem melhorando, passamos a ter três anos de residência em pediatria, o que é positivo, pois os conhecimentos se ampliaram muito. Mas o conteúdo da pediatria dentro da graduação em medicina precisa ser mais robusto na maioria dos cursos do país. Também é necessária a formação e atualização de professores e mentores nessa especialidade; temos uma ação na SBP nesse sentido, para que os docentes se sintam fortalecidos para formar os mais jovens, porque isso é fundamental para pavimentar um futuro mais consistente.

Notícias da Saúde Infantil — Como o Instituto PENSI poderia colaborar?

Luciana Rodrigues Silva — Acho que o PENSI pode ser o catalisador do fortalecimento da pesquisa em pediatria, pelas ações que já desenvolve atualmente. E também por levar e publicizar a sua experiência em produção de conhecimento em pediatria para outros núcleos científicos que existem no país, exatamente para inspirar as pessoas a fortalecer, a dar ferramentas e a investir na pesquisa na faixa pediátrica.

Notícias da Saúde Infantil — Quais são os potenciais que enxerga no Instituto PENSI e que devem nortear ações num futuro próximo?

Luciana Rodrigues Silva — O PENSI vem desenvolvendo ações de pesquisa e de criação de conhecimento de uma maneira brilhante, que a dra. Fátima coordena de maneira muito eficiente. A ampliação das linhas de pesquisa é bastante significativa para o momento que vivemos no país e no mundo. Servir como modelo para outros núcleos de pesquisa em pediatria aponta para a internacionalização e o contato com outros núcleos do exterior, tanto no mundo desenvolvido como em países menos privilegiados, mostrando que é possível, sim, fazer algo de maneira criteriosa com bons resultados. Vemos que os resultados das pesquisas têm desdobramentos benéficos e impactos sociais e comunitários, como acontece junto às famílias das crianças autistas, por exemplo.

Notícias da Saúde Infantil — Se o PENSI investir em tornar-se uma instituição de ensino superior, quais seriam os maiores desafios e as oportunidades que você antevê?

Luciana Rodrigues Silva — Essa é uma aspiração bastante interessante por causa dos passos que o PENSI já deu, garantindo uma produção científica consolidada e fomento à pesquisa em conjunto com várias instituições. A questão do ensino superior passa sempre pela assistência, pesquisa e extensão universitária em benefício da comunidade, e isso o instituto já faz; então, se houver interlocução com pessoas de outras instituições de ensino para começar a discutir a construção de uma nova IES, ela pode se concretizar no futuro próximo. O hospital tem uma residência magnífica em pediatria e presença de internos de graduação e isso faz parte do processo de se oficializar como instituição de ensino, seja de pós-graduação ou de graduação.

Notícias da Saúde Infantil — Como a colaboração entre hospital e universidade pode gerar ganhos para a formação médica no país?

Luciana Rodrigues Silva — Aumentando essa interlocução entre hospital e universidade, todo mundo ganha. Isso porque de fato se começa a produzir ciência, a formar o jovem pediatra que vai trabalhar na assistência ou o jovem pesquisador que vai contribuir para a formação de novos jovens. Universidade e hospital formam um casamento perfeito que depende das mentes brilhantes à frente desse processo, entendendo a riqueza de unir assistência à criação do conhecimento e gerando contribuição para a comunidade onde o hospital está inserido. Um problema atual do país é justamente o excesso de universidades de medicina que não têm apoio de nenhum hospital. Mas a medicina não é feita só com manequins e aula teórica; depende da prática em assistência e da discussão de casos clínicos reais. Para que um médico esteja tecnicamente preparado, precisa ter experiência em assistir, conduzir, saber como avaliar o paciente, com discernimento e sensação crítica. Tudo isso exige formação robusta.

Notícias da Saúde Infantil — O que espera que suas posições e sua atuação possam acrescentar ao Instituto PENSI?

Luciana Rodrigues Silva — Tenho muito orgulho de participar e quero dar o meu melhor, contribuindo com sugestões para que possa ver o PENSI crescer e desabrochar nos seus objetivos. Eu o vejo como uma instituição que pode contribuir efetivamente para a pediatria brasileira na assistência, no ensino, na pesquisa, na extensão, nas políticas públicas, na formação de pessoas e até na informação das populações que tenham em seu abrigo crianças e adolescentes.

Notícias da Saúde Infantil — O que diria para um(a) pediatra em início de carreira?

Luciana Rodrigues Silva — Recentemente, fiz um texto para residentes que tinham acabado de se formar, dizendo a eles que não desistam, que escolheram uma área de extremo valor por possibilitar contribuir de fato para o futuro. Ressaltei que se sintam cada vez mais fortes e valorosos por causa do seu papel junto a famílias, crianças e adolescentes, não só no diagnóstico adequado e no tratamento das doenças, mas sobretudo pelo seu exemplo, fundamental na formação dos indivíduos. Também acredito que, como liderança feminina na área médica, é meu papel apoiar meninas, jovens e outras mulheres para que sigam o caminho da pediatria. Sei que o cotidiano é puxado, porque o curso é longo, tem a residência, a pós-graduação, elas estão constituindo família, tendo filhos… são desafios que se colocam a toda hora e só com colaboração de outras pessoas é possível perseverar.

Por Rede Galápagos

 

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