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Por que conhecer os marcos de desenvolvimento infantil?
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Por que conhecer os marcos de desenvolvimento infantil?

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11/04/2023
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Preceptora de puericultura no Programa de Residência Médica do Sabará Hospital Infantil, operado pelo Instituto PENSI, a endocrinologista Luciana Izar fala sobre a importância (para médicos e famílias) de aprender a respeito de cada fase

 

A expressão popular “A comparação é a ladra da alegria” pode fazer sentido no contexto do desenvolvimento infantil. Mães e pais de primeira viagem olham para seus filhos e, com a melhor das intenções, às vezes sem se darem conta, comparam o comportamento deles com o de outras crianças. Quando duas crianças têm a mesma idade, mas uma já anda e a outra não, nasce a pulga da preocupação atrás da orelha da mãe. Diversas vezes esse medo é desnecessário, pois os marcos de desenvolvimento infantil, ou seja, os conjuntos de habilidades que esperamos que as crianças atinjam em determinada idade, não acontecem de forma idêntica para todas elas. Pequenas variações são normais.

A pediatria de ontem e hoje

A pediatra Luciana Izar, especialista em endocrinologia e médica do Sabará Hospital Infantil, explica que, “quando os pais conhecem esses marcos e notam um atraso, eles podem perguntar ao pediatra e ir à consulta de puericultura levando essa dúvida. Pois se um tratamento for necessário, quanto mais precoce melhor”.

Luciana Izar é a docente de puericultura no Programa de Residência Médica do Sabará Hospital Infantil, operado pelo Instituto PENSI, desde 2019. Começou como preceptora de pronto-socorro, auxiliando os alunos na emergência pediátrica. Desde 2022 é responsável pelo acompanhamento prático da puericultura. “Ela é a base de toda a pediatria. Uma puericultura bem aprendida e praticada pelos residentes de hoje — pediatras de amanhã — fará toda a diferença na vida dos pacientes”, ela explica. Os residentes aprendem como se dá o desenvolvimento neuropsicomotor normal das crianças e também as principais doenças na infância que podem comprometer esse desenvolvimento. Também entendem quando suspeitar de síndromes genéticas, transtorno do espectro autista, surdez, doenças neurodegenerativas, paralisia cerebral, doenças músculo-esqueléticas, entre outras. Além de checar o aporte nutricional e a cobertura vacinal.

Luciana Izar diz que o pediatra deve exercer a medicina baseada em evidências mas sem esquecer a humildade: “É preciso ouvir os cuidadores da criança, valorizando a visão deles sobre a saúde dos filhos”. Também é fundamental que o pediatra leia e estude sempre, em especial sobre aquilo que está acontecendo no mundo das crianças e jovens, com o objetivo de entrar na realidade deles. “Atualmente, por exemplo, temos uma questão nova, que é a alta exposição às telas; a ‘geração do quarto’, com muitos casos de ansiedade e depressão na infância”, afirma. São questões recentes, das quais o pediatra precisa se inteirar.

Com o avanço veloz da tecnologia, a medicina também muda rapidamente. Há diversas novas possibilidades de exames diagnósticos e tratamentos, fornecendo ao pediatra ferramentas inéditas. “De quando terminei minha residência na faculdade, em 2011, para hoje, me chama a atenção o avanço na avaliação genética do paciente; hoje existe uma possibilidade muito maior de diagnosticar doenças raras”, explica.

Reconhecendo os marcos

Aprender sobre os marcos de desenvolvimento é uma forma de ter mais clareza sobre aquilo que é esperado nos primeiros anos de vida de uma criança. E, por isso mesmo, não é assunto só para os pediatras. As famílias ganham muito com o conhecimento e as informações adequadas. A especialista elenca alguns dos principais marcos:

  • 1 mês de vida: o bebê virado de bruços é capaz de erguer a cabeça e fixar o olhar no rosto da mãe quando ela fala.
  • 2 meses: aparece o sorriso social.
  • 3 meses: o bebê acompanha o olhar e um objeto em movimento. Mantém as mãos abertas por bastante tempo.
  • 4 meses: o bebê segura um chocalho, ri alto, senta quando está com as costas apoiadas.
  • 5 meses: o bebê é capaz de se virar, alcançar e segurar objetos.
  • 6 meses: o bebê senta com apoio e os braços esticados para a frente e para baixo.
  • 7 meses: o bebê senta sem apoio e transfere objetos de uma mão para a outra.
  • 8 meses: o bebê estranha pessoas que ele não conhece e gosta da brincadeira escondeu-achou.
  • 9 meses: o bebê mantém-se de pé apoiado em móveis, engatinha e pega em pinça com o polegar e o indicador. Ele fala “mama”, “dada” e sente ansiedade de separação dos pais.
  • 11 meses: o bebê anda apoiado nas duas mãos ou apoiado em móveis.
  • 12 meses: anda segurando com uma mão e olha para um objeto que caiu ou foi escondido.

O mês em que cada marco deve acontecer serve como ponto de referência. Segundo Luciana Izar, o importante é que os marcos aconteçam nessa ordem, mesmo que demorem mais tempo do que o esperado. Além disso, os cuidadores e os pediatras devem observar se essas capacidades estão sendo adquiridas com qualidade e sem regressões.

Quando procurar ajuda?

 No caso de grandes atrasos na conquista das habilidades, é preciso conversar com um especialista. É verdade que cada criança tem seu tempo, mas é também verdade que alguns sinais fazem acender o alerta. Luciana Izar diz que “se a criança não mostra o sorriso social, tem o olhar vago e pouco interessado e movimentos anormais, é preciso consultar o pediatra”. Demorar muito para sentar sem apoio e para balbuciar palavras também são sinais que devem ser levados em conta.

Em todas as consultas de puericultura — o acompanhamento periódico visando à saúde da criança — ela será pesada, medida e terá o perímetro cefálico também medido. Esses valores são colocados em gráficos elaborados pela Organização Mundial da Saúde por sexo e faixa etária, mostrando ao médico se as medidas e a evolução estão adequadas. Os pais devem ficar atentos ao crescimento e ao ganho de peso da criança, pois uma alteração pode significar uma doença com possibilidade de ser identificada precocemente. Por isso a rotina de consultas em puericultura é importante e não deve ser esquecida. A médica ressalta que o risco é procurar o pediatra apenas na doença ou quando os marcos estão muito atrasados.

A conversa do profissional da saúde com a família ajuda a compreender a criança como um todo, dentro da comunidade à qual ela pertence. “Toda doença é multifatorial, depende de fatores genéticos, físicos, químicos e psicossociais. A puericultura, ao entrar com o papel de educar a família para a promoção da saúde, pode prevenir doenças e tratá-las precocemente”, conclui Luciana Izar.

Por Rede Galápagos

 

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