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Autismo e seletividade alimentar
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Autismo e seletividade alimentar

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05/04/2023
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A seletividade alimentar é um problema muito comum entre crianças e adolescentes e gera muita preocupação aos pais e responsáveis pelas refeições dos pequenos. Existe muita confusão sobre a relação desse tipo de dificuldade alimentar com o autismo, pois crianças autistas costumam rejeitar alimentos e restringir sua alimentação com base nas características dos alimentos (cor, cheiro, sabor, consistência, temperatura). É importante conhecer a associação de seletividade alimentar e autismo, mas principalmente, saber que não são sinônimos!

Na verdade, há crianças com problemas alimentares, que não aceitam determinados alimentos e concomitantemente não apresentam nenhuma alteração no neurodesenvolvimento ou qualquer outra condição que pudesse estar relacionada a sua seletividade alimentar.

Mas afinal, o que é seletividade alimentar?

A seletividade alimentar se caracteriza pela restrição em comer determinados alimentos, a recusa de alimentos novos ou já conhecidos, a ingestão frequente de um único tipo de alimento ou de uma variedade muito limitada de alimentos. Apesar de não ser exclusiva de pacientes com autismo, ela é mais frequente nesse grupo de pessoas. Espera-se que, entre 2 e 5 anos de idade, a criança apresente dificuldade em aceitar novos alimentos ou se torne mais seletiva em suas preferências. Nas crianças com neurodesenvolvimento típico, essa fase é transitória e pode melhorar durante o seu crescimento e desenvolvimento. Por outro lado, para as crianças com transtornos do neurodesenvolvimento, como o TEA, a seletividade alimentar pode surgir antes mesmo de completarem 2 anos de idade e pode persistir para além da infância e até ficar mais restritiva.

E por que a seletividade alimentar é mais frequente no autista?

Ter um transtorno de neurodesenvolvimento, como o autismo, pode aumentar a probabilidade de desenvolver problemas alimentares. Vários mecanismos podem explicar essa associação, como problemas de processamento sensorial, que são comuns nesses indivíduos, causam a hipersensibilidade ou hipossensibilidade a estímulos, texturas, cheiros, temperaturas ou cores, e podem levar a seletividade e à aversão alimentar. Outro mecanismo que também pode estar relacionado à seletividade alimentar em pacientes autistas são os rituais e a rigidez cognitiva, que geram dificuldade para começar coisas novas e mudar aquilo que já fazem.

Então, quando devemos nos preocupar?

Em crianças, a ingestão restrita de alimentos pode levar a deficiências nutricionais se a restrição de tipos e de variedade de alimentos for permanente ao longo do tempo. Isso torna a seletividade alimentar um risco potencial para a saúde. Seguem algumas indicações de que seu filho(a) precisa de ajuda profissional especializada para passar por esta situação alimentar:

– Perde peso ou não está crescendo como as crianças da idade dele(a);
– Fica doente com frequência;
– Mostra outros sinais de problemas de saúde, como ansiedade, diarreia, dificuldade de concentração, fraqueza, palidez e atraso do desenvolvimento;
– Está diminuindo os tipos de alimentos que aceita em sua alimentação;
– Os comportamentos durante as refeições causam estresse para seu filho(a) e para quem cuida dele(a);
– A restrição alimentar limita as atividades sociais, festas, viagens e a rotina do seu filho(a).

Em relação à possível associação de um problema de alimentação com transtornos do desenvolvimento, como o autismo, a presença de sinais de alerta pode indicar a necessidade de um olhar especializado e de investigação:

– Início da dificuldade alimentar já na fase de introdução alimentar, sem fatores ou eventos desencadeantes do problema com a alimentação;
– Atraso do desenvolvimento da fala e da linguagem ou regressão no desenvolvimento da linguagem;
– Problemas semelhantes aos enfrentados na alimentação em outras atividades diárias, como pentear o cabelo, lavar o rosto ou tomar banho, brincar na areia ou na grama, ouvir barulhos altos;
– Dificuldades na escola (com questões pedagógicas, no relacionamento com seus pares, em fazer e manter amigos);
– A dificuldade alimentar estiver associada a perda de habilidades relacionadas ou não à alimentação;
– Mudanças de comportamento como auto-lesão, agressividade ou ansiedade;
– Muito sensível ou nada sensível a cheiros, sons, luzes, texturas e toque;
– Apresentar gestos repetidos (comportamento estereotipado), como balançar, girar, andar na ponta dos pés por um longo tempo ou agitar as mãos.

O que pode ser feito em casa?

Crianças com autismo e seletividade se beneficiam de estratégias da mesma forma que crianças com desenvolvimento típico que também enfrentam problemas com as refeições:

– Definir uma rotina de alimentação, por exemplo: estabelecer os horários e o local da refeição;
– Evitar ”beliscos” fora dos horários das refeições, como balas, doces, salgadinhos;
– Deixar a criança confortável no momento da refeição, como apoiar os pés em um caixote, sentá-los em uma cadeira mais alta deixando-os à altura da mesa;
– Tentar evitar distrações no momento da alimentação, como tablets, televisão e celular;
– Convidar a criança para fazer as compras e ajudar a preparar as refeições, envolvendo-a no processo;
– Mudar o hábito alimentar de toda a família é uma boa estratégia. Crianças aprendem vendo e imitando o adulto.

Se mesmo adotando essas medidas, a criança não comer, tudo bem! O importante é que ela brinque e explore os diferentes alimentos. Torne os momentos das refeições alegres! Crie memórias felizes durante o almoço e jantar. Evite brigar, gritar ou forçar a criança a comer.

Lembre-se: a seletividade alimentar não é birra nem frescura e deve ser trabalhada desde cedo. Caso contrário, é possível que a alimentação permaneça restrita por um longo tempo. Isso, por fim, pode causar prejuízos para o organismo dos nossos pequenos.

TEXTO:
Dra. Lígia Modelli Rodrigues
Pediatra e Residente de Nutrologia
Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares (CENDA) – Instituto PENSI

Comunicação PENSI

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