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O Transtorno do Espectro Autista e a alimentação
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O Transtorno do Espectro Autista e a alimentação

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01/06/2023
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O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento. O transtorno geralmente se apresenta durante a primeira infância e é caracterizado por uma série de sintomas que podem variar em gravidade. As principais características do TEA incluem comportamento repetitivo, dificuldade de interação social e de comunicação e interesses ou atividades restritas. Outros sintomas comuns incluem falta de contato visual, dificuldade de comunicação não verbal, atraso no desenvolvimento da fala ou da linguagem, dificuldade com sinais sociais e problemas sensoriais.

O diagnóstico do TEA geralmente é feito com base em uma combinação de avaliações comportamentais e de desenvolvimento, juntamente com avaliações médicas e do histórico familiar. As opções de tratamento podem incluir terapia comportamental, medicamentos e serviços de apoio, como fonoaudiologia ou terapia ocupacional. A intervenção precoce é fundamental para melhorar os resultados dos indivíduos com TEA.

Os problemas de processamento sensorial podem incluir reação exagerada ou insuficiente a estímulos sensoriais, bem como desconforto intenso com determinadas sensações. O DSM-5 (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) descreve aspectos relacionados à modulação sensorial (hiper/hiporreatividade) e interesses incomuns em aspectos sensoriais do ambiente. No entanto, nem todos os padrões sensoriais de indivíduos com autismo são cobertos pelo DSM-5. As crianças com autismo podem apresentar alterações no processamento sensorial, bem como dificuldades na integração de informações sensoriais do ambiente.

Ter sensibilidades únicas a determinados tipos de estímulos sensoriais pode criar desafios em situações cotidianas como escola, trabalho ou ambientes comunitários. Para uma pessoa hipersensível, pode ser necessário muito esforço para passar o dia inteiro sob luzes LED ou fluorescentes, navegar em um espaço lotado ou processar conversas em salas com ruído de fundo. Muitas pessoas com autismo apresentam determinados comportamentos quando estão enfrentando um problema sensorial:

  • Maior movimentação, como pular, girar ou bater em objetos;
  • Aumento dos estímulos, como bater as mãos, fazer ruídos repetitivos ou balançar para frente e para trás;
  • Falar mais rápido e mais alto ou não falar nada;
  • Tapar os ouvidos ou os olhos.

Entender e acomodar os problemas sensoriais pode aliviar o desconforto e aumentar as oportunidades para as pessoas autistas aprenderem, socializarem, se comunicarem e participarem da comunidade. As adaptações podem significar a modificação do ambiente, o uso de ferramentas e estratégias ou a criação de novos hábitos ou rotinas. Como as necessidades sensoriais dependem do ambiente, as acomodações devem ser modificadas para evitar estímulos exacerbados.

Se você tiver mais interesse sobre o tema, busque a página do programa Autismo e Realidade (autismoerealidade.org.br) e veja todos os conteúdos disponíveis, também há vídeos sobre o assunto no canal Saúde da Infância, no YouTube.

Há uma quantidade significativa de pesquisas disponíveis sobre o tópico de nutrição e autismo. Muitos estudos sugerem que uma nutrição adequada e uma dieta saudável podem ser benéficas para pessoas com autismo. Alguns estudos também exploram a possível ligação entre o autismo e determinadas intervenções dietéticas, como dietas sem glúten e sem caseína, e o possível impacto dessas dietas nos sintomas do autismo. As pesquisas também destacam a importância de abordar as dificuldades alimentares que muitas pessoas com autismo enfrentam, como a exigência e a seletividade alimentar.

De modo geral, é importante considerar o papel da nutrição na vida das pessoas com autismo e buscar a orientação de profissionais qualificados ao tomar decisões sobre a dieta.

Uma alimentação saudável para crianças não significa ser radical e evitar alimentos práticos e que dão prazer, desde que dentro de um plano alimentar planejado, com frequência menor e sem usar estes alimentos de forma rotineira. Uma alimentação saudável para crianças envolve equilíbrio e variedade de alimentos, considerando não apenas os aspectos nutricionais, mas também o prazer e a praticidade na alimentação. Dentro de um programa de orientação, podemos utilizar alguns conceitos:

  • Equilíbrio nutricional: uma dieta saudável para crianças deve fornecer os nutrientes necessários para o crescimento e o desenvolvimento adequados. Isso inclui a ingestão correta de proteínas, vitaminas, minerais, carboidratos e gorduras saudáveis. Destacamos a importância de escolher fontes de proteína magra, carnes com poucas gorduras e em porções pequenas, usar e abusar dos peixes e frutos do mar (quando acessíveis), ovos, feijões, ervilhas, cereais integrais, nozes e sementes sem sal. Além disso, as frutas são essenciais e podem ser consumidas de acordo com a safra, disponibilidade e custos.
  • Conveniência: é importante reconhecer que as famílias enfrentam desafios de tempo e conveniência no preparo das refeições. Nem sempre é possível preparar refeições elaboradas, e é aceitável recorrer a opções práticas, desde que estejam dentro de um leque que permita escolher produtos com menos teor de gorduras, evitando os fritos e pré-fritos e com muito sal. Devemos evitar o uso de alimentos como recompensa, suborno ou punição. Ocasionalmente, podemos incorporar produtos menos saudáveis nos planos de refeições. Tudo é uma questão de não os utilizar frequentemente.
  • Alimentos que dão prazer: permitir que as crianças desfrutem, ocasionalmente, de alimentos que proporcionem prazer, como doces e salgadinhos não fritos, em alguns casos pode ajudar a desenvolver uma relação saudável com os alimentos. A privação total destes produtos aparentemente menos saudáveis, de forma muito rígida, pode levar a comportamentos alimentares negativos e até mesmo a uma maior atração por eles.

É importante lembrar que cada criança é única e pode ter preferências e necessidades individuais. Portanto, a orientação de um profissional de saúde, como um pediatra ou nutricionista, é fundamental para adaptar a dieta de acordo com as características específicas de cada criança. Uma abordagem equilibrada, que leve em consideração a nutrição, a conveniência e o prazer de comer, pode ser mais eficaz a longo prazo na promoção de uma alimentação saudável e sustentável para as crianças.

Um lembrete: preferimos o conceito de uma alimentação saudável e não o de alimentos bons e ruins!

Dr. Mauro Fisberg

Dr. Mauro Fisberg

Pediatra e Nutrólogo. Coordena o Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares (CENDA) do Instituto Pensi. Membro do corpo de orientadores em Pediatria e Ciências Aplicadas à Pediatria da UNIFESP.

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mensagem enviada

  • Leyda Mendes disse:

    BOA TARDE, SOU MÃE DE UMA CRIANÇA DENTRO DO ESPECTRO AUTISTA, E POSSUI DIFICULDADE ALIMENTAR, COME MENOS QUE 20 ALIMENTOS, GOSTARIA MUITO DE PASSAR POR UM MÉDICO GASTRO QUE ENTENDESSE DO QUADRO DE AUTISTAS, SENDO ASSIM, GOSTARIA DE SABER SE OS MÉDICOS DO INSTITUTO PENSI ATENDEM OU SE PODERIAM ME INDICAR UM ESPECIALISTA, FICAREI MUUUITO AGRADECIDA.

    OBRIGADA PELA ATENÇÃO,

    NO AGUARDO,ANSIOSA,

    LEYDA CECILIO
    (11) 98589-9595

    • Comunicação PENSI disse:

      Prezada Leyda, boa tarde! Agradecemos o contato. O Instituto PENSI possui um Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares, o CENDA. Para agendamento de consultas, por favor, entre em contato pelo telefone (11) 2526-2525 – Ramal 9358.

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