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Para entender: Anafilaxia
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Para entender: Anafilaxia

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16/08/2022
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Saiba mais sobre essa reação alérgica aguda que pode acontecer em vários locais do corpo, é sistêmica e tem mais risco de ser grave. 

Você conhece algum caso ou até já viu na TV: a criança ingere um alimento ou leva uma picada de abelha, por exemplo, e em seguida tem uma forte reação alérgica. Coceira e manchas no corpo (urticária), rosto vermelho e inchado, dificuldade de respirar, sensação de bolo na garganta, diarreia e até tontura. Hora de correr para o pronto-socorro. Os diagnósticos podem variar: médicos dizem que é uma crise de urticária, ou descrevem o quadro no prontuário como dispneia, ou edema. Na verdade, pode ser uma dessas coisas mesmo e, se for um desses sintomas isoladamente, é apenas uma reação alérgica. Agora, se a criança apresentar dois ou mais desses sintomas juntos, o caso tem outro nome: anafilaxia. É o que na linguagem popular a gente chama de choque anafilático.

Mas o que é exatamente a anafilaxia? “É uma reação alérgica aguda. Que não é limitada a um lugar; pode acontecer em vários locais do corpo: pulmão, pele, trato digestivo, sistema circulatório. É sistêmica e tem mais risco de ser grave”, explica o dr. Gustavo Falbo Wandalsen, pediatra e alergista e professor de pós-graduação na Unifesp. Entre as causas mais comuns estão os alimentos — o campeão deles nesse quesito, principalmente entre as crianças menorzinhas, é o leite — e também picadas de insetos, além de alguns medicamentos. Adolescentes, por exemplo, podem ter anafilaxia com peixes e frutos do mar. Amendoim, oleaginosas, soja, ovos e trigo também figuram na lista. Mas cada pessoa tem sua própria sensibilidade. Há casos de bebês com anafilaxia com uma simples banana, talvez por ser uma das primeiras frutas que eles começam a comer — surpresa até para os médicos.

Prevenção e tratamento

O que leva a essa reação mais agressiva é uma suscetibilidade genética, e felizmente os casos muito graves são pouco frequentes. A única prevenção possível é evitar o que causa alergia — mas para saber isso a criança já teve de passar por uma crise.

O tratamento, imediato, é uma injeção intramuscular de adrenalina (conhecida pelo nome epinefrina) ministrada em pronto-socorro ou autoinjetada. Pacientes com extrema sensibilidade devem sempre usar uma pulseira indicando que têm alergia — e, num cenário ideal, ter à mão uma caneta contendo adrenalina (a quantidade pode variar, nas crianças, de 0,15mg a 0,3mg, dependendo do peso delas) para se autoinjetarem no instante da emergência. No caso de crianças, claro, quem porta a caneta é a mãe, o pai ou o cuidador responsável. Existe uma caneta, a EpiPen, com a dose certa, de facílima aplicação. Só que aí mora um sério problema: é muito cara e não é comercializada no Brasil (tem de ser importada), ou seja, inviável para a grande maioria da população.

Pesquisa

A Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) há tempos levanta a bandeira para o governo disponibilizar a EpiPen no Brasil. O PENSI colabora para isso, coletando dados em uma ampla pesquisa para compilar as informações epidemiológicas da anafilaxia (como por exemplo quantas crianças têm, qual o número de atendimentos no pronto-socorro etc.), já que faltam números precisos. Um dos problemas é porque ainda não existe um CID (código que classifica a doença) para anafilaxia. A criança é atendida com CIDs como dispneia, asma ou urticária — e fazer o filtro de quais casos eram realmente de anafilaxia foi um grande desafio para a pesquisadora dra. Fabiana Nunes, mestranda da Unifesp que realiza este levantamento no Sabará. Durante quase quatro anos, de 2016 a 2019, ela levantou o número de crianças atendidas no pronto-socorro do Sabará Hospital Infantil. Em média, são 100 mil crianças por ano. Dessas 100 mil, 2 mil eram casos de alergia.

“A gente tinha de ficar vendo CIDs de todos e limpando os dados até concluir os que realmente foram de anafilaxia. Olhando os prontuários, os casos eram inicialmente de 50 por ano; olhando com mais calma ainda, 15 a 20 casos por ano”, explica o dr. Gustavo Wandalsen, orientador desse trabalho da dra. Fabiana. A pesquisa, batizada como “Incidência, fatores desencadeantes e tratamento da anafilaxia em crianças”, foi apresentada em 2019 em Lisboa, no Congresso Europeu de Alergia e Imunologia EAACI, e os resultados foram publicados na revista mais importante do setor, a da Organização Mundial de Alergia (WAO). A segunda parte da pesquisa ainda está em andamento: a dra. Fabiana conversou com as famílias das crianças com anafilaxia atendidas no PS do Sabará Hospital Infantil e coletou mais informações. Está agora na fase de compilação desses dados.

“São dois os grandes objetivos do PENSI com esse trabalho: primeiro, reconhecer qual é a casuística real, quantas crianças têm anafilaxia; e, segundo, orientar os pediatras e clínicos para reconhecer o diagnóstico, porque ele pode se repetir ao longo da vida. Uma das causas mais frequentes na criança é a reação por alimento, e em adultos, por remédios. Mas tem abelha, tem formiga, que também podem provocar esses quadros. Então fizemos esta parceria para estudar melhor isso”, diz a dra. Fátima Fernandes, diretora executiva do PENSI. Identificar se um quadro de alergia é realmente anafilaxia ajuda o paciente (e os pais, no caso das crianças) a ter consciência dos seus riscos. A criança então deve continuar fazendo acompanhamento médico de tempos em tempos, evitar, claro, os gatilhos que provocam a alergia e, se possível, usar a EpiPen. Assim fica longe de complicações graves.

De olho no rótulo 

Em 2014, um grupo de mães batutas criou a Põe no Rótulo, OSC (Organização da Sociedade Civil) que exige que o rótulo de todos os alimentos industrializados (bebidas e alimentos já embalados) traga a descrição completa — e de forma clara — do que ele tem. Porque muitos alimentos contêm alérgenos na sua composição — como castanhas, leite, trigo, soja, crustáceos, ovos, látex natural —, e a população precisa saber. O rótulo deve trazer, em negrito ou letras maiúsculas, a palavra ALÉRGICOS e o que cada alimento contém, além dos seus derivados. Se o rótulo não trouxer essas informações (ou estiver errado), é possível denunciar à Ouvidoria da Anvisa ou a outras instituições como as vigilâncias sanitárias, o Procon, o Ministério Público, o Idec e o Proteste.

A Põe no Rótulo já produziu, com vários parceiros, materiais informativos como a Cartilha da alergia alimentar e um guia para inclusão das crianças com alergia, o Criança com alergia alimentar na escola. Você pode acessá-los no site: www.poenorotulo.com.br

Por Rede Galápagos

 

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