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TDAH: medicar ou não medicar?
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TDAH: medicar ou não medicar?

TDAH: medicar ou não medicar?

09/11/2012
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De um lado, estão os psiquiatras que gostam de medicar as crianças com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Do outro, os psicólogos que acham que não se deve tratar com medicamentos e sim com terapia. No meio, ficam os pediatras e as famílias que analisam com bom senso cada lado.

Há alguns anos, essa polêmica se tornou muito debatida. Os americanos alertaram que esses transtornos, assim como o autismo, aumentaram na população infantil e merecem ser mais bem estudados e observados pelos pediatras. No Brasil, existe uma pressão das famílias e das escolas para medicarem as crianças. Como as medicações exigem prescrição em receituário amarelo, ainda há um pouco de controle sobre isso.

Existem casos em que a medicação é claramente exigida, assim como existem situações nas quais ela não é indicada. Contudo, há impasses (talvez a maioria) em que não é tão fácil decidir. Nesses casos, recomendamos uma consulta com um neuropediatra com experiência e uma equipe multidisciplinar para realizar testes e exames que possam assegurar o melhor procedimento.

Na revista Pediatrics de junho, foi publicado um artigo interessante, mas que colocará mais lenha na fogueira. Trata-se do texto chamado “A Population-Based Study of Stimulant Drug Treatment of ADHD and Academic Progress in Children,” onde os pesquisadores estudaram o uso de medicamentos para TDAH e o desempenho em testes padronizados nas crianças nascidas entre 1994 e 1996 na Islândia, que realizaram testes padronizados na quarta e na sétima séries.

As crianças sem TDAH tiveram um nível consistente no quarto e sétimo anos dos testes. Em contraste, as crianças que tomam medicamentos de TDAH apresentaram números menores nos testes na sétima série, especialmente em matemática. O curioso e polêmico é que aquelas que começaram a tomar medicamentos mais cedo apresentaram melhores resultados, enquanto que as outras, que estavam na quarta série e fizeram o teste no período de 12 meses, demonstraram uma queda de apenas 0,3 pontos percentuais em matemática.

Assim, houve o declínio de 9,4 pontos percentuais em crianças que começaram a tomar a medicação 25 a 36 meses após os testes durante a quarta série. O efeito foi maior em meninas do que meninos, e maior para as crianças que fizeram mal seu teste na quarta série.

Os autores do estudo concluem que, depois de iniciar o tratamento estimulante, o TDAH entre crianças entre 9 a 12 anos de idade está associado ao declínio acadêmico em matemática, em comparação com os alunos que não tem TDAH ou que iniciaram a medicação antes dos 9 anos. Lembrando que os sintomas podem aparecer em crianças em idades pré-escolares.

Mais uma vez, saliento que o diagnóstico bem feito, por profissionais competentes e preparados, com diagnosticação viável, é essencial para a boa indicação do tratamento com base em medicamentos.

Leia também: Terapia Comportamental para Crianças com TDAH

Fonte: “Um Estudo de Base Populacional de Tratamento de Drogas estimulantes do TDAH e Progresso Acadêmico em Crianças” (2012).

Atualizado em 8 de abril de 2024

Dr. José Luiz Setúbal

Dr. José Luiz Setúbal

(CRM-SP 42.740) Médico Pediatra formado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com especialização na Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduação em Gestão na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Pai de Bia, Gá e Olavo. Avô de Tomás, David e Benjamim.

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